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CardiologiaABR 2022

ACC 2022: o que há de novo em dislipidemia?

No ACC 2022, foi apresentada uma sessão de “Clinical Spotlight” sobre dislipidemia. Reunimos os principais pontos da discussão.

Por Ronaldo Gismondi

Ontem postamos em nossos perfis nas redes sociais uma enquete perguntando a vocês qual assunto mais interessa na série do congresso do American College of Cardiology (ACC 2022) “Clinical Spotlight” e o mais votado foi “dislipidemia”.

dislipidemia

Dislipidemia

O primeiro tema abordado foram os eventos adversos em uso de estatina e o percentual de pacientes que de fato aderiram ao tratamento. Das diversas drogas para redução do colesterol, as estatinas são as mais estudadas e aquelas que apresentam benefícios concretos e relevantes na redução do risco de morte, AVC e/ou IAM. O efeito colateral mais comum são queixas musculares.

Na prática, muitos pacientes interrompem o tratamento e não tentam mudar a droga nem reintroduzi-las, o que pode privá-los do benefício cardiovascular. Em um estudo recente, foi demonstrado que até 90% das queixas são iguais em pacientes usando estatina ou placebo! Isto é, apenas 10% das queixas são de fato intolerância. Neste caso, a recomendação é dar um “wash out” sem estatina por 4 semanas e tentar reintroduzir uma outra estatina, em dose menor, pois muitas vezes isso é suficiente para adaptação.

Medicações

A seguir, entrou-se no debate das opções medicamentosas quando atingimos a dose máxima de estatina e mesmo assim o LDL ainda não está na faixa ideal. Estudos mostram que até 75% dos pacientes não conseguem um LDL < 50 mg/dl, como é recomendado nas diretrizes europeias. Hoje temos três opções nestes pacientes:

No congresso, foram mostrados resultados do estudo com ácido bempedoico em associação com estatina e ezetimibe, mostrando seu potencial de sinergismo com baixo risco de efeitos colaterais, com um ganho de até 24% a mais na redução do LDL. O principal efeito colateral foi o aumento do ácido úrico e crises de gota.

Já o inclisiran é uma nova droga que atua na via do PCSK9, mas por mecanismo diferente do alirocumab e do evolocumab: ele inibe o RNA mensageiro responsável pela produção da proteína PCSK9. Com isso, obtém excelente efeito na redução do LDL sem grandes efeitos colaterais.

Outro aspecto importante é que são necessárias menos injeções da droga, porque seus efeitos duram várias semanas! No estudo Orion-10, foram 4 injeções em 2 anos! A redução do LDL ficou em torno de 58% quando associado a uma estatina, comparado à estatina isoladamente.

Infelizmente, ainda aguardamos o lançamento no Brasil do onclisiran e do ácido bempedoico, assim como estudos com desfechos clínicos “duros”, como mortalidade, IAM e AVC.

Estamos acompanhando o congresso americano de cardiologia. Fique ligado no Portal PEBMED e em nosso Twitter e Instagram.

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Referências bibliográficas

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