O avanço dos medicamentos injetáveis para controle do peso trouxe novas possibilidades terapêuticas, mas também uma profusão de nomes nas redes sociais, clínicas e farmácias. A distinção fundamental é entre um medicamento com registro e indicação aprovada pela Anvisa e uma substância ainda em investigação ou comercializada de forma irregular. Em 2026, o cenário brasileiro mudou rapidamente. A Anvisa ampliou o número de medicamentos à base de semaglutida registrados e, desde 2025, os agonistas de GLP-1 (as chamadas canetas emagrecedoras) passaram a exigir retenção da receita na dispensação, de acordo com a agência.
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Quais medicamentos têm indicação aprovada para controle do peso?
Atualmente, entre as chamadas “canetas emagrecedoras”, há três princípios ativos com medicamentos registrados no Brasil e indicação específica para controle do peso: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
A liraglutida está disponível como Saxenda, registrado pela Anvisa para controle crônico do peso, associado a dieta com baixa ingestão calórica e aumento da atividade física. A indicação contempla adultos com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² na presença de comorbidade relacionada ao peso.
A semaglutida está presente no Wegovy, indicado para controle do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. O medicamento também recebeu aprovação para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso superior a 60 kg.
Outro produto registrado para obesidade é o Poviztra, também à base de semaglutida. Em junho de 2026, a Anvisa autorizou para o medicamento a mesma atualização de posologia aprovada para o Wegovy, incluindo, em situações específicas, dose de manutenção de até 7,2 mg por semana.
Já a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, recebeu em junho de 2025 uma nova indicação para controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção, em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso.
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Ozempic é uma caneta para emagrecimento?
Essa é uma das principais distinções que precisam ser feitas na prática clínica.
O Ozempic contém semaglutida e tem registro na Anvisa para diabetes mellitus tipo 2, não para tratamento da obesidade. Portanto, seu uso para perda de peso não corresponde à indicação aprovada em bula. Já o Wegovy contém o mesmo princípio ativo, mas possui indicação específica para controle do peso.
A mesma lógica vale para outros agonistas de GLP-1 registrados para diabetes. Ter determinado princípio ativo associado à perda de peso em estudos clínicos não significa que todos os medicamentos que o contêm tenham automaticamente indicação aprovada para obesidade.
Esse cuidado é especialmente importante porque a Anvisa passou a exigir retenção de receita para os agonistas de GLP-1, justamente diante do aumento do uso e dos eventos adversos associados ao emprego fora das indicações aprovadas.
E as novas canetas de semaglutida?
Em 2026, a Anvisa acelerou a análise de medicamentos à base de semaglutida. Em julho, cinco novas canetas — Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema — receberam registro. Todas foram aprovadas para diabetes mellitus tipo 2, e não para tratamento da obesidade.
Em maio, o Ozivy, também à base de semaglutida sintética, havia sido registrado igualmente para diabetes tipo 2. Em agosto, a Anvisa aprovou ainda uma caneta genérica de semaglutida e o similar Semaclique, ambos com indicação para diabetes.
Ou seja: registro do princípio ativo não equivale a registro para emagrecimento. A indicação terapêutica precisa ser analisada individualmente, de acordo com o medicamento e sua bula aprovada.
O que ainda é promessa?
A retatrutida é um dos principais exemplos. A molécula, que atua sobre os receptores de GIP, GLP-1 e glucagon, está em desenvolvimento clínico, mas não possui registro para uso em seres humanos no Brasil nem aprovação por agência reguladora em nenhum lugar do mundo, segundo a Anvisa.
Produtos vendidos como “retatrutida” ou outras canetas sem registro não devem ser confundidos com medicamentos aprovados. Em 2026, a Anvisa determinou apreensões de produtos comercializados como canetas emagrecedoras sem registro, incluindo produtos de origem desconhecida.
A regra, portanto, é simples: o potencial de uma molécula em estudos não substitui a avaliação regulatória de qualidade, segurança e eficácia. A Anvisa reforça que qualquer medicamento oferecido no mercado nacional precisa passar pelo processo de registro correspondente.
Panorama atual
Com indicação aprovada para controle do peso:
- Saxenda (liraglutida)
- Wegovy (semaglutida)
- Poviztra (semaglutida)
- Mounjaro (tirzepatida)
Registrados, mas com indicação para diabetes e não para obesidade:
- Ozempic
- Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema
- Ozivy
- Semaclique
- Outros medicamentos da classe
Ainda sem aprovação para uso clínico:
- Retatrutida
- Produtos sem registro sanitário
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Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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