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Saúde26 agosto 2026

Quais canetas emagrecedoras têm registro na Anvisa? 

Semaglutida, liraglutida e tirzepatida já têm indicações aprovadas; outras moléculas seguem em pesquisa ou sem autorização sanitária no Brasil

O avanço dos medicamentos injetáveis para controle do peso trouxe novas possibilidades terapêuticas, mas também uma profusão de nomes nas redes sociais, clínicas e farmácias. A distinção fundamental é entre um medicamento com registro e indicação aprovada pela Anvisa e uma substância ainda em investigação ou comercializada de forma irregular. Em 2026, o cenário brasileiro mudou rapidamente. A Anvisa ampliou o número de medicamentos à base de semaglutida registrados e, desde 2025, os agonistas de GLP-1 (as chamadas canetas emagrecedoras) passaram a exigir retenção da receita na dispensação, de acordo com a agência. 

Saiba mais: Ozempic, Mounjaro, Wegovy: conheça as diferenças entre esses medicamentos 

Quais canetas emagrecedoras têm registro na Anvisa? 

Quais medicamentos têm indicação aprovada para controle do peso? 

Atualmente, entre as chamadas “canetas emagrecedoras”, há três princípios ativos com medicamentos registrados no Brasil e indicação específica para controle do peso: liraglutida, semaglutida e tirzepatida. 

A liraglutida está disponível como Saxenda, registrado pela Anvisa para controle crônico do peso, associado a dieta com baixa ingestão calórica e aumento da atividade física. A indicação contempla adultos com IMC ≥ 30 kg/m² ou ≥ 27 kg/m² na presença de comorbidade relacionada ao peso. 

A semaglutida está presente no Wegovy, indicado para controle do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades. O medicamento também recebeu aprovação para adolescentes a partir de 12 anos com obesidade e peso superior a 60 kg. 

Outro produto registrado para obesidade é o Poviztra, também à base de semaglutida. Em junho de 2026, a Anvisa autorizou para o medicamento a mesma atualização de posologia aprovada para o Wegovy, incluindo, em situações específicas, dose de manutenção de até 7,2 mg por semana. 

Já a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, recebeu em junho de 2025 uma nova indicação para controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção, em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso. 

Leia ainda: Remédios para emagrecer: conheça os principais 

Ozempic é uma caneta para emagrecimento? 

Essa é uma das principais distinções que precisam ser feitas na prática clínica. 

Ozempic contém semaglutida e tem registro na Anvisa para diabetes mellitus tipo 2, não para tratamento da obesidade. Portanto, seu uso para perda de peso não corresponde à indicação aprovada em bula. Já o Wegovy contém o mesmo princípio ativo, mas possui indicação específica para controle do peso. 

A mesma lógica vale para outros agonistas de GLP-1 registrados para diabetes. Ter determinado princípio ativo associado à perda de peso em estudos clínicos não significa que todos os medicamentos que o contêm tenham automaticamente indicação aprovada para obesidade. 

Esse cuidado é especialmente importante porque a Anvisa passou a exigir retenção de receita para os agonistas de GLP-1, justamente diante do aumento do uso e dos eventos adversos associados ao emprego fora das indicações aprovadas. 

E as novas canetas de semaglutida? 

Em 2026, a Anvisa acelerou a análise de medicamentos à base de semaglutida. Em julho, cinco novas canetas — Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema — receberam registro. Todas foram aprovadas para diabetes mellitus tipo 2, e não para tratamento da obesidade. 

Em maio, o Ozivy, também à base de semaglutida sintética, havia sido registrado igualmente para diabetes tipo 2. Em agosto, a Anvisa aprovou ainda uma caneta genérica de semaglutida e o similar Semaclique, ambos com indicação para diabetes. 

Ou seja: registro do princípio ativo não equivale a registro para emagrecimento. A indicação terapêutica precisa ser analisada individualmente, de acordo com o medicamento e sua bula aprovada. 

O que ainda é promessa? 

retatrutida é um dos principais exemplos. A molécula, que atua sobre os receptores de GIP, GLP-1 e glucagon, está em desenvolvimento clínico, mas não possui registro para uso em seres humanos no Brasil nem aprovação por agência reguladora em nenhum lugar do mundo, segundo a Anvisa. 

Produtos vendidos como “retatrutida” ou outras canetas sem registro não devem ser confundidos com medicamentos aprovados. Em 2026, a Anvisa determinou apreensões de produtos comercializados como canetas emagrecedoras sem registro, incluindo produtos de origem desconhecida. 

A regra, portanto, é simples: o potencial de uma molécula em estudos não substitui a avaliação regulatória de qualidade, segurança e eficácia. A Anvisa reforça que qualquer medicamento oferecido no mercado nacional precisa passar pelo processo de registro correspondente. 

Panorama atual 

Com indicação aprovada para controle do peso: 

  • Saxenda (liraglutida) 
  • Wegovy (semaglutida) 
  • Poviztra (semaglutida) 
  • Mounjaro (tirzepatida) 

Registrados, mas com indicação para diabetes e não para obesidade: 

  • Ozempic 
  • Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema 
  • Ozivy 
  • Semaclique 
  • Outros medicamentos da classe 

Ainda sem aprovação para uso clínico: 

  • Retatrutida 
  • Produtos sem registro sanitário 

Leia também: Canetas para obesidade: o que ainda não sabemos e o que esperar da próxima década

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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