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Ortopedia19 dezembro 2024

Reparo da raiz posterior vs. reparo de outras lesões do menisco medial

Entre as lesões meniscais, as rupturas da raiz posterior do menisco medial são especialmente desafiadoras.
Por Rafael Erthal

O menisco é essencial para a biomecânica do joelho, distribuindo cargas e protegendo a cartilagem. Entre as lesões meniscais, as rupturas da raiz posterior do menisco medial são especialmente desafiadoras. Essas lesões causam alterações biomecânicas significativas, como aumento das pressões articulares e extrusão do menisco, podendo levar a uma degeneração precoce da articulação. O reparo lesão da raiz tem ganhado destaque como alternativa para evitar a progressão da osteoartrite e reduzir a necessidade de cirurgias de substituição articular. 

Um estudo recente publicado no “Journal of the AAOS Global Research & Reviews” comparou os resultados clínicos relatados pelos pacientes após o reparo da raiz posterior do menisco medial com o reparo de outros tipos de lesão do menisco medial. A pesquisa analisou diferenças nos escores funcionais e fatores associados às variáveis entre os dois grupos de tratamento. 

 

Métodos 

O estudo incluiu 18 artigos que avaliaram os resultados clínicos, como o escore de lesão do joelho e osteoartrite (KOOS) e a escala visual analógica (EVA) para dor. Foram excluídos estudos sem dados específicos para cada tipo de lesão ou com seguimento superior a 72 meses. No total, foram comparados 357 pacientes tratados com reparo da raiz posterior a 284 pacientes submetidos a reparo de outros padrões de lesão do menisco medial. 

 Veja mais: Fatores de risco para falha do reparo meniscal na reconstrução do LCA – Portal Afya

 

Resultados  

Os pacientes submetidos ao reparo da raiz apresentaram piores escores de funcionais em comparação com outros reparos, exceto para dor medida pelo EVA, que foi semelhante entre os grupos. Os escores pós-operatórios de KOOS foram consistentemente mais baixos no grupo do reparo da raiz, indicando maior limitação funcional e menor qualidade de vida. 

Fatores como idade avançada, maior índice de massa corporal e sexo feminino foram associados a piores resultados no grupo do reparo da raiz. Esses pacientes também apresentaram menor melhora nos escores ao longo do tempo em relação ao grupo com outros tipos de lesões. 

As rupturas de raiz posterior do menisco medial são frequentemente comparadas à meniscectomia total em termos de perda biomecânica. Isso explica, em parte, os resultados menos favoráveis após o reparo dessas lesões. Por outro lado, os reparos de lesões como as alças de balde ou horizontais preservam mais a integridade das fibras circunferenciais, resultando em melhor resposta funcional. A técnica de reparo, o grau de extrusão meniscal e a capacidade de restaurar a posição anatômica são fatores que podem influenciar diretamente os resultados clínicos. 

 

Mensagem prática 

Os achados desse estudo reforçam que o tipo de lesão meniscal é um preditor dos resultados pós-operatórios. Pacientes com lesões da raiz posterior do menisco medial tendem a apresentar pior função e menor qualidade de vida em comparação com aqueles com outros tipos de reparos do menisco medial. Esses dados podem ajudar na definição de expectativas e no planejamento cirúrgico, destacando a importância de estratégias personalizadas para cada perfil de paciente.

 

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Referências bibliográficas

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