As lesões meniscais degenerativas são comuns na população de meia-idade e o tratamento com meniscectomia artroscópica já foi considerado o método de escolha para essas lesões por um longo período. Essa prática tinha, entretanto, um resultado ruim em alguns casos. Nossa compreensão sobre a importância do menisco e sobre o aumento do risco de evolução para osteoartrite após a meniscectomia levantaram questionamentos sobre a melhor estratégia de tratamento para algumas lesões.
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Análise atual
Um recente estudo foi elaborado com o objetivo de avaliar a progressão da osteoartrite comparando a evolução após cinco anos em pacientes com lesão meniscal degenerativa tratados com meniscectomia parcial artroscópica ou com um programa de exercícios.
Trata-se de um ensaio controlado randomizado incluindo 140 adultos, com idades entre 35-60 anos, com uma imagem de ressonância magnética indicando a presença de ruptura meniscal degenerativa nos quais em 96% dos casos não havia evidência de osteoartrite nas radiografias iniciais. Os participantes foram randomizados em dois grupos. O primeiro envolvia o tratamento com 12 semanas de terapia de exercícios supervisionados. O segundo grupo era tratado cirurgicamente com a realização de meniscectomia parcial artroscópica.
O desfecho primário avaliado foi a diferença entre os grupos na progressão do estreitamento do espaço articular tíbio-femoral e da formação de osteófitos marginais em 5 anos. Os desfechos secundários incluíram a incidência de osteoartrite de joelho radiográfica e osteoartrite de joelho sintomática, a largura do espaço articular tíbio-femoral medial (avaliado quantitativamente) e medidas dos sintomas relatados pelos pacientes.
Resultados
Os resultados da análise não indicaram diferenças estatísticas entre os grupos. As razões de risco (IC 95%) para progressão de estreitamento do espaço articular e da formação de osteófitos medial e lateral no grupo cirúrgico foram 0,89 (0,55-1,44), 1,15 (0,79-1,68) e 0,77 (0,42-1,42) respectivamente, em comparação com o grupo de terapia utilizando exercícios. Nos desfechos secundários não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
O estudo foi inconclusivo em relação às diferenças potenciais na progressão das características radiográficas individuais após o tratamento cirúrgico e não cirúrgico para ruptura meniscal degenerativa. Além disso, não foram encontradas evidências fortes em apoio às diferenças no desenvolvimento de osteoartrite radiográfica do joelho ou resultados relatados pelo paciente comparando os dois tratamentos.
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