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Cirurgia22 julho 2022

Há diferença a longo prazo entre fisioterapia e meniscectomia parcial?

Estudo comparou desfechos relacionados à função do joelho entre meniscectomia e fisioterapia para a lesão degenerativa do menisco.

Ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas não mostraram diferenças significativas nos primeiros dois anos de follow-up entre meniscectomia parcial e fisioterapia para pacientes com lesões degenerativas do menisco. Entretanto, estudos com maior follow-up são conflitantes quanto aos resultados e alguns corroboram a tese de que a meniscectomia estaria associada ao início precoce de artrose do joelho.

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Há diferença a longo prazo entre fisioterapia e meniscectomia parcial para pacientes com lesões meniscais crônicas?

O estudo

Foi publicado esse mês um estudo no Journal of the American Medical Association – JAMA com o objetivo primário de comparar desfechos relacionados à função do joelho com cinco anos de follow-up quando o tratamento para a lesão degenerativa do menisco foi meniscectomia ou fisioterapia. Além disso, o objetivo secundário foi avaliar a progressão radiográfica e sintomática de osteoartrose de joelho.

O ensaio clínico randomizado recrutou pacientes de 9 departamentos de ortopedia de hospitais holandeses com idade entre 45 e 70 anos que possuíam sintomas e ressonância magnética confirmando uma lesão crônica de menisco. Foram excluídos pacientes com história de trauma que necessitaram intervenção cirúrgica imediata ou outras patologias do joelho.

Foi realizada uma randomização de 1:1 estratificada por hospital e idade (45 a 57, e 58 a 70 anos) nos grupos meniscectomia parcial artroscópica e fisioterapia. Os pacientes tiveram que responder aos questionários de função IKDC (International Knee Documentation Committee) aos três, seis, 12 e 24 meses e cinco anos após a intervenção. Além disso, foram submetidos a radiografias com carga dos joelhos após cinco anos da intervenção. Questionários para avaliação de dor, função física (KOOS-OS) e qualidade de vida (EuroQol 5 Dimension 5 Level) também foram passados aos participantes.

Dos 321 pacientes, 278 completaram o acompanhamento de cinco anos com um tempo médio de 61,8 meses. A variação desse tempo foi desde 58,8 até 69,5 meses. A média de idade foi de 58 anos e a proporção entre homens e mulheres foi de 49,8% e 50,2%, respectivamente. Da linha de base até o acompanhamento de cinco anos, a melhora média foi de 29,6 (18,7) pontos no grupo de cirurgia e 25,1 (17,8) pontos no grupo de fisioterapia.

A diferença bruta entre os grupos foi de 3,5 pontos (IC 95%, 0,7-6,3 pontos; P < 0,001 para não inferioridade). O IC de 95% não ultrapassou o limite de não inferioridade de 11 pontos. Taxas comparáveis de progressão da osteoartrite do joelho demonstrada radiograficamente foram observadas entre os dois tratamentos.

Saiba mais: O tratamento cirúrgico das lesões meniscais degenerativas afeta a evolução da osteoartrite do joelho?

Conclusão

Neste ensaio clínico randomizado de não inferioridade, após cinco anos, a fisioterapia baseada em exercícios permaneceu não inferior à meniscectomia parcial artroscópica para a função do joelho relatada pelo paciente. A fisioterapia deve, portanto, ser o tratamento preferido em relação à cirurgia para lesões meniscais degenerativas por ser um tratamento menos invasivo.

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Referências bibliográficas

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