Ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas não mostraram diferenças significativas nos primeiros dois anos de follow-up entre meniscectomia parcial e fisioterapia para pacientes com lesões degenerativas do menisco. Entretanto, estudos com maior follow-up são conflitantes quanto aos resultados e alguns corroboram a tese de que a meniscectomia estaria associada ao início precoce de artrose do joelho.
O estudo
Foi publicado esse mês um estudo no Journal of the American Medical Association – JAMA com o objetivo primário de comparar desfechos relacionados à função do joelho com cinco anos de follow-up quando o tratamento para a lesão degenerativa do menisco foi meniscectomia ou fisioterapia. Além disso, o objetivo secundário foi avaliar a progressão radiográfica e sintomática de osteoartrose de joelho.
O ensaio clínico randomizado recrutou pacientes de 9 departamentos de ortopedia de hospitais holandeses com idade entre 45 e 70 anos que possuíam sintomas e ressonância magnética confirmando uma lesão crônica de menisco. Foram excluídos pacientes com história de trauma que necessitaram intervenção cirúrgica imediata ou outras patologias do joelho.
Foi realizada uma randomização de 1:1 estratificada por hospital e idade (45 a 57, e 58 a 70 anos) nos grupos meniscectomia parcial artroscópica e fisioterapia. Os pacientes tiveram que responder aos questionários de função IKDC (International Knee Documentation Committee) aos três, seis, 12 e 24 meses e cinco anos após a intervenção. Além disso, foram submetidos a radiografias com carga dos joelhos após cinco anos da intervenção. Questionários para avaliação de dor, função física (KOOS-OS) e qualidade de vida (EuroQol 5 Dimension 5 Level) também foram passados aos participantes.
Dos 321 pacientes, 278 completaram o acompanhamento de cinco anos com um tempo médio de 61,8 meses. A variação desse tempo foi desde 58,8 até 69,5 meses. A média de idade foi de 58 anos e a proporção entre homens e mulheres foi de 49,8% e 50,2%, respectivamente. Da linha de base até o acompanhamento de cinco anos, a melhora média foi de 29,6 (18,7) pontos no grupo de cirurgia e 25,1 (17,8) pontos no grupo de fisioterapia.
A diferença bruta entre os grupos foi de 3,5 pontos (IC 95%, 0,7-6,3 pontos; P < 0,001 para não inferioridade). O IC de 95% não ultrapassou o limite de não inferioridade de 11 pontos. Taxas comparáveis de progressão da osteoartrite do joelho demonstrada radiograficamente foram observadas entre os dois tratamentos.
Conclusão
Neste ensaio clínico randomizado de não inferioridade, após cinco anos, a fisioterapia baseada em exercícios permaneceu não inferior à meniscectomia parcial artroscópica para a função do joelho relatada pelo paciente. A fisioterapia deve, portanto, ser o tratamento preferido em relação à cirurgia para lesões meniscais degenerativas por ser um tratamento menos invasivo.
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