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Oncologia5 novembro 2026

Estudo STAMINA avalia atividade física no câncer de próstata

Estudo STAMINA avalia exercício no câncer de próstata durante terapia de privação androgênica, com foco em qualidade de vida e fadiga.
Por Thiago Branco

A terapia de privação androgênica (TPA) é utilizada em diferentes cenários do câncer de próstata e pode comprometer a qualidade de vida e agravar a fadiga. Embora diretrizes nacionais e internacionais citadas pelos pesquisadores recomendem exercícios supervisionados, sua incorporação ao atendimento oncológico permanece limitada.

Nesse contexto, Bourke e colaboradores conduziram o ensaio STAMINA. O objetivo foi avaliar se uma intervenção integrada de exercício físico, aconselhamento alimentar e suporte comportamental seria superior ao cuidado usual otimizado. Os desfechos principais foram qualidade de vida específica do câncer de próstata e fadiga após 12 meses.

 

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Como o ensaio STAMINA comparou as intervenções?

O estudo multicêntrico, randomizado e de superioridade foi realizado em 15 instituições do NHS, na Inglaterra. Foram incluídos 700 homens em uso de TPA ou com início previsto em até 12 semanas, alocados na proporção de 5:4 para a intervenção STAMINA (389 participantes) ou para o cuidado usual otimizado (311 participantes). A mediana de idade foi de 71,6 anos.

O programa STAMINA combinou exercícios aeróbicos e de resistência supervisionados, orientação dietética, apoio comportamental e acesso gratuito à academia durante 12 meses. A supervisão ocorreu duas vezes por semana nas primeiras 13 semanas e, posteriormente, em frequência negociada com os participantes. O comparador incluiu as estratégias usuais adotadas no Reino Unido, envolvendo treinamento de profissionais, materiais educativos, estímulos comportamentais e avaliação de segurança para a prática de exercícios.

Os desfechos primários foram mensurados pelos instrumentos FACT-P, para qualidade de vida relacionada ao câncer de próstata, e FACIT-F, para fadiga. A análise principal seguiu o princípio de intenção de tratar, com imputação múltipla dos dados ausentes e ajuste para características basais e fatores de estratificação.

Exercício supervisionado melhora os escores de qualidade de vida

Aos 12 meses, responderam aos questionários 345 homens (89%) do grupo STAMINA e 251 (81%) do grupo controle. O STAMINA apresentou diferença média ajustada favorável de 4,5 pontos no FACT-P (IC de 97,232% de 1,7 a 7,2; p = 0,0004), em comparação com o cuidado usual otimizado.

A fadiga também apresentou diferença favorável ao programa, de 1,9 ponto no FACIT-F (IC de 97,232% de 0,4 a 3,4; p = 0,0068). Escores maiores nesse instrumento correspondem a menor fadiga.

Também foram observados resultados superiores no FACT-G, medida geral de qualidade de vida, com diferença ajustada de 3,7 pontos aos 12 meses. Os domínios físico, social e familiar, emocional e funcional apresentaram diferenças favoráveis, enquanto a subescala específica do câncer de próstata não mostrou diferença estatisticamente significativa no mesmo período.

 

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Segurança e custo-efetividade completam os resultados

O índice de atividade física no lazer foi superior no grupo STAMINA aos 12 meses. Em contrapartida, os desfechos físicos objetivos avaliados não apresentaram diferenças entre os grupos, e não houve evidência de diferença quanto ao medo de recorrência do câncer.

Na avaliação econômica de 12 meses, a razão de custo-efetividade incremental variou de £13.920 a £19.077 por ano de vida ajustado pela qualidade (QALY), conforme o cenário de custos considerado. Esses resultados foram calculados sob a perspectiva do sistema inglês e podem variar entre diferentes serviços ou realidades nacionais.

 

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O cuidado oncológico pode incorporar suporte ao exercício

Para a prática clínica, o STAMINA oferece um modelo de encaminhamento para exercícios supervisionados, associado a orientação alimentar e suporte comportamental, para homens submetidos à TPA. A intervenção foi integrada à rotina de oncologia e urologia, com participação de profissionais de exercício treinados e acompanhamento por 12 meses.

A interpretação exige atenção à população estudada: 97% dos participantes eram brancos, muitos se consideravam fisicamente aptos e a adesão ao aconselhamento alimentar não foi medida diretamente. O estudo comparou o programa com um cuidado usual já otimizado, e não com ausência de intervenção. Assim, a aplicação em outros serviços requer avaliação de viabilidade e de recursos locais, sem presumir equivalência econômica com o NHS.

Em síntese, o ensaio STAMINA mostrou benefício na qualidade de vida e na fadiga relatadas pelos pacientes, com perfil de segurança descrito e custo-efetividade favorável no contexto avaliado. O resultado apoia a discussão de estratégias estruturadas de exercício supervisionado durante a terapia de privação androgênica.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.

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