A terapia de privação androgênica (TPA) é utilizada em diferentes cenários do câncer de próstata e pode comprometer a qualidade de vida e agravar a fadiga. Embora diretrizes nacionais e internacionais citadas pelos pesquisadores recomendem exercícios supervisionados, sua incorporação ao atendimento oncológico permanece limitada.
Nesse contexto, Bourke e colaboradores conduziram o ensaio STAMINA. O objetivo foi avaliar se uma intervenção integrada de exercício físico, aconselhamento alimentar e suporte comportamental seria superior ao cuidado usual otimizado. Os desfechos principais foram qualidade de vida específica do câncer de próstata e fadiga após 12 meses.
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Como o ensaio STAMINA comparou as intervenções?
O estudo multicêntrico, randomizado e de superioridade foi realizado em 15 instituições do NHS, na Inglaterra. Foram incluídos 700 homens em uso de TPA ou com início previsto em até 12 semanas, alocados na proporção de 5:4 para a intervenção STAMINA (389 participantes) ou para o cuidado usual otimizado (311 participantes). A mediana de idade foi de 71,6 anos.
O programa STAMINA combinou exercícios aeróbicos e de resistência supervisionados, orientação dietética, apoio comportamental e acesso gratuito à academia durante 12 meses. A supervisão ocorreu duas vezes por semana nas primeiras 13 semanas e, posteriormente, em frequência negociada com os participantes. O comparador incluiu as estratégias usuais adotadas no Reino Unido, envolvendo treinamento de profissionais, materiais educativos, estímulos comportamentais e avaliação de segurança para a prática de exercícios.
Os desfechos primários foram mensurados pelos instrumentos FACT-P, para qualidade de vida relacionada ao câncer de próstata, e FACIT-F, para fadiga. A análise principal seguiu o princípio de intenção de tratar, com imputação múltipla dos dados ausentes e ajuste para características basais e fatores de estratificação.
Exercício supervisionado melhora os escores de qualidade de vida
Aos 12 meses, responderam aos questionários 345 homens (89%) do grupo STAMINA e 251 (81%) do grupo controle. O STAMINA apresentou diferença média ajustada favorável de 4,5 pontos no FACT-P (IC de 97,232% de 1,7 a 7,2; p = 0,0004), em comparação com o cuidado usual otimizado.
A fadiga também apresentou diferença favorável ao programa, de 1,9 ponto no FACIT-F (IC de 97,232% de 0,4 a 3,4; p = 0,0068). Escores maiores nesse instrumento correspondem a menor fadiga.
Também foram observados resultados superiores no FACT-G, medida geral de qualidade de vida, com diferença ajustada de 3,7 pontos aos 12 meses. Os domínios físico, social e familiar, emocional e funcional apresentaram diferenças favoráveis, enquanto a subescala específica do câncer de próstata não mostrou diferença estatisticamente significativa no mesmo período.
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Segurança e custo-efetividade completam os resultados
O índice de atividade física no lazer foi superior no grupo STAMINA aos 12 meses. Em contrapartida, os desfechos físicos objetivos avaliados não apresentaram diferenças entre os grupos, e não houve evidência de diferença quanto ao medo de recorrência do câncer.
Na avaliação econômica de 12 meses, a razão de custo-efetividade incremental variou de £13.920 a £19.077 por ano de vida ajustado pela qualidade (QALY), conforme o cenário de custos considerado. Esses resultados foram calculados sob a perspectiva do sistema inglês e podem variar entre diferentes serviços ou realidades nacionais.
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O cuidado oncológico pode incorporar suporte ao exercício
Para a prática clínica, o STAMINA oferece um modelo de encaminhamento para exercícios supervisionados, associado a orientação alimentar e suporte comportamental, para homens submetidos à TPA. A intervenção foi integrada à rotina de oncologia e urologia, com participação de profissionais de exercício treinados e acompanhamento por 12 meses.
A interpretação exige atenção à população estudada: 97% dos participantes eram brancos, muitos se consideravam fisicamente aptos e a adesão ao aconselhamento alimentar não foi medida diretamente. O estudo comparou o programa com um cuidado usual já otimizado, e não com ausência de intervenção. Assim, a aplicação em outros serviços requer avaliação de viabilidade e de recursos locais, sem presumir equivalência econômica com o NHS.
Em síntese, o ensaio STAMINA mostrou benefício na qualidade de vida e na fadiga relatadas pelos pacientes, com perfil de segurança descrito e custo-efetividade favorável no contexto avaliado. O resultado apoia a discussão de estratégias estruturadas de exercício supervisionado durante a terapia de privação androgênica.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.
Autoria

Thiago Branco
Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.
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