Um dos sítios mais comuns de metástases no câncer de próstata é a coluna vertebral. Em alguns pacientes, esse câncer só é descoberto em fases avançadas, ocasião em que o paciente passa a apresentar dor lombar significativa, que o leva a procurar atendimento médico.
O tratamento de primeira linha nos casos de câncer de próstata com metástases ósseas é a terapia de privação androgênica, que pode ser realizada por meio de castração cirúrgica (orquiectomia) ou, com maior frequência, com uso medicamentos agonistas ou antagonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), como leuprolida ou degarelix, além de antiandrogênicos como bicalutamida ou flutamida.
Atualmente, a associação desses agentes com enzalutamida, um inibidor do receptor androgênico, é o tratamento de primeira linha nos casos de câncer de próstata com metástase óssea resistente a castração (CPMRC).
Um dos destaques no Simpósio Geniturinário da American Society of Clinical Oncology (ASCO) 2026 é o estudo de fase 3 EORTC 1333, que demonstrou melhores resultados em termos de sobrevida global com a combinação de enzalutamida associado à radioterapia com radium-223 (Ra223) em comparação com o uso isolado de enzalutamida.
Métodos
Foram randomizados 446 pacientes com (CPMRC) assintomáticos ou com sintomas leves. Os pacientes foram divididos na proporção 1:1 em dois grupos, sendo um grupo com enzalutamida isolada e outro com enzalutamida em combinação com 6 ciclos de rádio-223.
O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão radiológica e o desfecho secundário, a sobrevida global.
Resultados
O estudo de fase 3 EORTC 1333, apresentado no primeiro dia do simpósio, demonstrou que a adição de radioterapia com 6 ciclos de rádio-223 apresentou melhora significativa (OH 0,75) na sobrevida global quando comparado ao uso da enzalutamida isolada.
A análise do desfecho primário revelou sobrevida livre de progressão radiológica de doença de 19,4 meses no grupo enzalutamida + radio-223 e 16,4 meses no grupo enzalutamida isolada. Na avaliação do desfecho secundário, a sobrevida global média foi de 38,2 meses com a combinação, em comparação com 32,6meses com a enzalutamida isolada (OR: 0,75 – IC 95% 0,6 – 0,95 – p=0,0078).
Mensagem final
A adição do radiofármaco Radio-223 demonstrou melhores resultados com significância estatística em termos de sobrevida livre de progressão radiológica e sobrevida globa com potencial para melhorar o prognóstico nesses casos.
Autoria

Jader Ricco
Graduado pela UFMG ⦁ Membro do corpo clínico do Oncoclínicas Cancer Center ⦁ Cirurgião Oncológico no Instituto de Oncologia da Santa Casa ⦁ Cirurgião Oncológico e preceptor de cirurgia Geral na Santa Casa de Belo Horizonte e Hospital Vila da Serra.
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