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Oncologia9 outubro 2026

Câncer colorretal está mais comum em jovens sem histórico familiar, aponta estudo

Pesquisa com pacientes de até 21 anos revelou diagnósticos tardios, sintomas frequentes e casos sem histórico familiar.
Por Gabriela Costa

Pesquisadores da Pediatric Surgical Oncology Research Collaborative identificaram diagnósticos avançados de câncer colorretal em crianças, adolescentes e jovens de até 21 anos. Os resultados foram apresentados no congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP), realizado em outubro de 2026, nos Estados Unidos. A análise retrospectiva reuniu 84 pacientes diagnosticados entre 2012 e 2023 em 34 instituições.

O estudo investigou manifestações clínicas, características dos tumores e desfechos da doença. A mediana de idade dos participantes foi de 16,5 anos no momento do diagnóstico, 56% eram homens e apenas 17 dos 84 pacientes (20,2%) apresentavam histórico familiar de câncer colorretal em parentes de primeiro ou segundo grau. Apesar disso, a maioria recebeu o diagnóstico em estágios avançados: 43 pacientes (51%) estavam no estágio III, caracterizado por disseminação para linfonodos regionais, e 24 (29%) no estágio IV, quando há metástases à distância. Juntos, esses grupos representaram aproximadamente 80% dos casos analisados.

Quais sintomas de câncer colorretal apareceram nos jovens?

Dor abdominal ou nas costas ocorreu em 73,8% dos pacientes, seguida por alterações do hábito intestinal (45,2%), perda de peso (42,9%) e sangramento retal (38,1%). Esses sinais ajudam a orientar a investigação quando não existe outra explicação para o quadro.

A mediana de duração dos sintomas antes do diagnóstico foi de 12 semanas. O tempo mediano até a colonoscopia foi de 13 semanas, indicando um intervalo relevante no percurso diagnóstico observado nessa amostra.

Saiba mais: Avanços recentes no câncer colorretal pediátrico

Tumores avançados predominam e recidiva atinge 36,9%

No diagnóstico, 43 pacientes (51%) apresentavam doença em estágio III e 24 (29%) em estágio IV. A presença de tumores avançados na maioria dos casos reforça a importância de investigar sintomas persistentes nessa faixa etária.

A recidiva ocorreu em 31 participantes (36,9%), com mediana de 11 meses. Ao fim do acompanhamento, 38 pacientes (45,2%) haviam morrido em decorrência do câncer colorretal. Os pesquisadores também observaram características histológicas agressivas, incluindo tumores pouco diferenciados.

Saiba mais: Câncer colorretal em pacientes pediátricos: o que temos de avanço?

Sem histórico familiar, a suspeita diagnóstica permanece

Os autores recomendam considerar o câncer colorretal no diagnóstico diferencial de adolescentes com dor abdominal ou sangramento retal sem causa alternativa identificada. A ausência de histórico familiar conhecido não afasta essa possibilidade.

Por ser retrospectiva e analisar apenas pessoas já diagnosticadas, a pesquisa não permite calcular o risco da doença nem demonstrar aumento da incidência. Seus achados foram divulgados em resumo de congresso e exigem interpretação dentro dessas limitações.

Saiba mais: Atualização da Diretriz da ACS sobre câncer colorretal: implicações práticas

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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