Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.
Ao intubar um paciente com asma, já espera-se que ele apresente uma piora. Em geral, o asmático tem uma hiperreatividade brônquica e é hipersecretivo, então a presença de um tubo orotraqueal causa mais broncoconstrição e piora o quadro respiratório. Os cuidados durante a intubação podem ajudar muito os desfechos desses estados clínicos. Esse foi um dos temas da palestra “Asma Grave”, com moderação de Filadelfia Passos Rodrigues Martins:

Quando o médico deve proceder com a intubação orotraqueal (IOT)?
Para saber o momento correto, deve-se usar a regrinha mnemônica: o ABC da intubação orotraqueal no asmático.
A) alteração do estado mental.
B) breathing: refere-se às manifestações de que a respiração não está bem, ou seja, hipóxia e hipocapnia (marcadores de gravidade importantes no curso da asma).
C) curso desfavorável: pacientes que estão deteriorando, assumindo um curso desfavorável. Determinar esse curso desfavorável é o mais difícil.
Nessa avaliação do paciente é fundamental o uso de um aparelho de Peak flow, que hoje tem um preço acessível e fornece bastante informação ao profissional. O aparelho mede o pico de fluxo respiratório do paciente e as medidas sucessivas oferecem um bom parâmetro de como está a respiração do mesmo.
Ventilação não invasiva (VNI)
A ventilação não invasiva continua sendo um tema controverso. Na prática diária, seu uso é comum e eficaz, diminuindo a acidose e hipercapnia, mas um alerta: a VNI não deve retardar a IOT. Se o paciente está evoluindo mal, não deve-se retardar sua intubação, que é o que realmente resolverá o problema.
Recomendações para intubação do asmático
A melhor técnica para IOT é a de sequência rápida: pré-oxigenação, uso de sedativo e bloqueio neuromuscular. Quando falamos de sequência rápida no asmático, o melhor sedativo é, sem dúvidas, a cetamina, um potente broncodilatador, que ajuda na reversão do quadro asmático. Como bloqueador neuromuscular, a recomendação atual é pelo rocurônio.
Outro aspecto importante durante a pré-intubação: a VNI é um recurso interessante para pré-oxigenar o paciente e a pré-oxigenação sem VNI não é tão efetiva. Lembrar de utilizar continuamente o broncodilatador.
DICA IMPORTANTE: pensando em IOT no asmático, a escolha do tamanho do tubo é muito importante. Nesses casos, nunca use um tubo menor que o 8 (com exceção de pacientes pediátricos).
MAIS DO CONGRESSO ABRAMEDE 2018
Lombalgia:
Sepse:
- Como tratar infecções graves em imunodeprimidos?
- Infecções que matam rapidamente: quais são e como combatê-las
- Sepse: veja as principais novidades do ano
Trauma:
Cetoacidose diabética:
Síndrome coronariana aguda:
- PCR fora do hospital: como diminuir a mortalidade?
- Quais estratégias não invasivas utilizar quando não há serviço de hemodinâmica?
- Hipotermia como terapia adjuvante no infarto agudo do miocárdio
Asma grave:
A PEBMED ESTÁ NO ABRAMEDE 2018
Entre os dias 25 e 28 de setembro, a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) promove em Fortaleza (CE) a 6ª edição do maior Congresso de Medicina de Emergência Adulto e Pediátrico da América Latina. O evento conta com workshops, cursos e palestras com os maiores especialistas da área. A PEBMED está em Fortaleza e vamos publicar aqui no Portal com exclusividade as principais novidades do evento.
Autoria

Eduardo Moura
Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Clínico médico com residência médica em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre e doutorando pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV). É cofundador da PEBMED e atua como diretor do Research Center da Afya.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.