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Ginecologia e Obstetrícia9 outubro 2026

OMS lança roteiro global contra hipertensão na gestação

Plano até 2035 integra pesquisa, diretrizes e acesso a medicamentos para reduzir mortes maternas e neonatais ligadas à hipertensão na gestação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros lançaram em 8 de outubro de 2026 um roteiro global contra a hipertensão na gestação. O plano, apresentado no congresso da Society for Maternal-Fetal Medicine, vai até 2035 e coordena pesquisa, diretrizes, acesso a insumos e mobilização política. Os distúrbios hipertensivos, incluindo a pré-eclâmpsia, estão entre as principais causas de mortalidade materna e neonatal.

O documento partiu de revisões de evidências e estudos de caso da OMS. Em maio de 2026, mais de 140 parceiros reunidos em Kigali, Ruanda, pactuaram lacunas e prioridades.

Grávida sentada aferindo a pressão arterial

Roteiro prioriza pesquisa e novos tratamentos para pré-eclâmpsia

O roteiro lista 20 perguntas prioritárias para guiar financiadores a partir do terceiro trimestre de 2027. Destacam-se biomarcadores angiogênicos, pacotes integrados de cuidado e detecção precoce comunitária. Por outro lado, a OMS destaca a falta de medicamentos originalmente desenvolvidos e aprovados especificamente para pré-eclâmpsia e eclâmpsia. 

Nesse sentido, José Kffuri, cardiologista da Afya, alerta, porém, que: “Isso não significa ausência de intervenções eficazes: o ácido acetilsalicílico em baixa dose é recomendado para prevenção em gestantes com indicação; anti-hipertensivos controlam a pressão arterial e o sulfato de magnésio é utilizado para prevenir e tratar convulsões eclâmpticas”.

Saiba mais: Controle da pressão arterial em gestantes com hipertensão e diabetes

Quando as diretrizes clínicas consolidadas devem ser publicadas?

A OMS formará um grupo diretor com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e outras entidades. O grupo avaliará a viabilidade de unificar diretrizes clínicas hoje divergentes, que geram incerteza na assistência.

O escopo deve ser definido até o quarto trimestre de 2026, com publicação prevista para o fim de 2027. Até lá, evidências de alto impacto entrarão pela abordagem de diretriz viva.

Saiba mais: Hipertensão crônica na gravidez (HAC): qual o alvo da pressão arterial?

Distúrbios hipertensivos respondem por 16% da mortalidade materna

A hipertensão na gestação complica de 10% a 15% das gestações e causa cerca de 16% das mortes maternas. São cerca de 42.000 óbitos maternos anuais, além de mais de 500.000 natimortos e mortes neonatais.

Em muitos países, faltam aferição de PA, pesquisa de proteinúria, aspirina, anti-hipertensivos e sulfato de magnésio. Falhas de referência e escassez de profissionais treinados atrasam o atendimento.

Após o parto, persiste risco aumentado de hipertensão crônica, doença cardiovascular, AVC e doença renal. Os filhos expostos podem ter riscos ligados à prematuridade e a doenças cardiometabólicas.

Saiba mais: Idade gestacional ideal para resolução da gestação na hipertensão arterial crônica

As análises de base do roteiro devem sair em edição temática de periódico no primeiro trimestre de 2027. Até o fim de 2028, mecanismos de prestação de contas deverão monitorar a resposta à hipertensão na gestação e à pré-eclâmpsia.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas

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