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Ginecologia e Obstetrícia28 maio 2026

CBGO 2026 - Distúrbios do desenvolvimento sexual: diagnóstico e manejo

Mesa discutiu DDS, malformações müllerianas, genitália ambígua, transplante uterino e transição do cuidado reprodutivo.
Por Sérgio Okano

A mesa-redonda “Malformações Genitais e Distúrbios do Desenvolvimento Sexual: como tratar”, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), foi coordenada pela Dra. Técia Maranhão, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e abordou os principais desafios relacionados ao diagnóstico, à classificação e ao manejo das malformações müllerianas e dos distúrbios da diferenciação sexual (DDS), além de discutir aspectos importantes da transição do cuidado da adolescência para a vida adulta. 

Genitália ambígua ao nascimento pode configurar emergência neonatal 

O professor Gustavo Maciel, da USP, iniciou a discussão apresentando um caso de genitália ambígua identificado ao nascimento. O palestrante ressaltou que esse tipo de apresentação pode configurar uma emergência neonatal, especialmente diante da suspeita de hiperplasia adrenal congênita (HAC) clássica, condição associada a risco de distúrbios hidroeletrolíticos potencialmente graves. Foi destacado que, nessas situações, o registro civil pode ser temporariamente postergado até melhor definição diagnóstica. A investigação inicial deve incluir cariótipo, dosagem de 17-hidroxiprogesterona (17-OHP), eletrólitos, glicemia, avaliação hormonal e ultrassonografia pélvica. 

Saiba mais: Hiperplasia Adrenal Congênita: você sabe diagnosticar e conduzir adequadamente 

Como a classificação dos DDS orienta o manejo clínico? 

Durante a apresentação, o professor revisou a classificação dos DDS, atualmente organizada conforme os cromossomos sexuais, incluindo DDS 46,XX, DDS 46,XY e alterações relacionadas aos cromossomos sexuais. Também foi discutida a classificação das malformações müllerianas segundo a American Society for Reproductive Medicine (ASRM), atualizada em 2021. 

Saiba mais: Nova resolução do CFM sobre cuidados à pessoa com DDS 

Malformações müllerianas obstrutivas demandam planejamento cirúrgico 

Na sequência, a professora Daniela Yela, da Unicamp, abordou o tratamento cirúrgico das malformações müllerianas. As anomalias foram divididas entre formas obstrutivas e não obstrutivas, sendo enfatizado que a indicação cirúrgica deve priorizar a melhora dos sintomas, especialmente dor pélvica, além da preservação e do planejamento do futuro reprodutivo das pacientes. 

A palestrante também trouxe atualizações sobre transplante uterino, destacando resultados recentes da literatura internacional. Segundo os dados apresentados, entre 44 transplantes realizados, 31 evoluíram com sucesso gestacional, evidenciando avanços importantes na medicina reprodutiva para mulheres com ausência uterina ou malformações complexas. 

Saiba mais: Transplante de útero e suas complexidades 

Saúde reprodutiva deve ser discutida na transição para a vida adulta 

Encerrando a mesa, a Dra. Erika Krogh, da UFMA, discutiu os desafios reprodutivos enfrentados por pacientes com distúrbios da diferenciação sexual. A palestrante chamou atenção para o fato de que, muitas vezes, essas pessoas não recebem informações adequadas durante a infância e a adolescência sobre suas possibilidades reprodutivas futuras, o que pode gerar frustração e sofrimento na vida adulta. 

Foi discutido que algumas condições de DDS 46,XY, como a síndrome de insensibilidade androgênica completa (síndrome de Morris), geralmente cursam com impossibilidade gestacional. Entretanto, em outras condições, inclusive em casos associados a alterações cromossômicas específicas ou passíveis de correção anatômica e funcional, a possibilidade de gestação pode ser discutida individualmente. 

A médica também reforçou a importância de evitar cirurgias genitais estéticas ou “normalizadoras” sem indicação funcional vital durante a infância, defendendo que a adolescência representa um momento mais adequado para decisões compartilhadas envolvendo identidade corporal, sexualidade e planejamento reprodutivo, sempre com participação ativa da própria paciente. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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