A osteoporose representa um dos principais desafios relacionados ao envelhecimento populacional e ao risco de fraturas por fragilidade.¹ No Sistema Único de Saúde (SUS), o manejo adequado desses pacientes depende não apenas do diagnóstico da perda de massa óssea, mas também da correta estratificação do risco de fraturas e da definição do tratamento mais adequado para cada perfil clínico.¹
Nesse contexto, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da osteoporose estabelece critérios objetivos para diagnóstico, avaliação de gravidade e escalonamento terapêutico dentro do SUS.¹ Mais do que padronizar condutas, o protocolo busca direcionar recursos terapêuticos de forma mais eficiente, especialmente em pacientes com risco muito alto de fratura.¹
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Como o protocolo da osteoporose no SUS define o diagnóstico
Segundo o PCDT, a osteoporose pode ser diagnosticada de duas formas: densitometria óssea com T-score ≤ -2,5 ou presença de fraturas por fragilidade, independentemente da densidade mineral óssea.¹
Além disso, o protocolo incorpora o uso do FRAX®, ferramenta validada internacionalmente para cálculo do risco de fraturas osteoporóticas maiores e de quadril em 10 anos.¹ O algoritmo considera fatores clínicos como idade, índice de massa corporal, histórico de fraturas, tabagismo, uso de glicocorticoides, artrite reumatoide e osteoporose secundária, podendo também incluir a densidade mineral óssea do colo do fêmur.¹ Essa abordagem amplia a capacidade de identificar pacientes de maior risco mesmo em casos de osteopenia.¹
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A importância da estratificação de risco na osteoporose
Um dos principais diferenciais do protocolo é a valorização da estratificação de risco como etapa obrigatória da condução clínica.¹ O objetivo é evitar que pacientes graves sejam subtratados por apresentarem apenas alterações discretas na densitometria.¹
Nesse cenário, a radiografia simples da coluna assume papel fundamental.¹˒² O exame pode identificar fraturas vertebrais silenciosas, frequentemente subdiagnosticadas, mas associadas a aumento expressivo do risco de novas fraturas.¹˒²
Por ser acessível, disponível no SUS e de baixo custo, o raio-X de coluna passa a ter valor decisivo na identificação da gravidade da doença e na escolha terapêutica.¹˒²
Como funciona a árvore de decisão terapêutica no SUS
O PCDT organiza o tratamento da osteoporose em etapas progressivas.¹ Inicialmente, todos os pacientes devem receber medidas não farmacológicas, como atividade física, prevenção de quedas, cessação do tabagismo, redução do consumo excessivo de álcool e suplementação de cálcio e vitamina D.¹
Quando há necessidade de terapia medicamentosa, os bisfosfonatos orais — especialmente alendronato e risedronato — permanecem como primeira linha de tratamento devido à eficácia clínica e ao custo acessível.¹ Pacientes com intolerância gastrointestinal ou dificuldade de deglutição podem utilizar bisfosfonatos endovenosos.¹
Quem são os pacientes de muito alto risco?
O protocolo define como pacientes de muito alto risco aqueles que apresentam um ou mais dos seguintes critérios: fraturas nos últimos 12 meses, múltiplas fraturas, fraturas durante o tratamento, T-score abaixo de -3,0, risco muito alto calculado pelo FRAX® ou risco aumentado de quedas.¹
Esses pacientes geralmente apresentam risco persistente de novas fraturas mesmo com terapia antirreabsortiva convencional.¹˒³˒⁵
Quando o romosozumabe é indicado no SUS
Nos casos de osteoporose grave com falha terapêutica, o PCDT prevê o uso do romosozumabe, terapia anabólica recentemente incorporada ao SUS.¹ O medicamento atua bloqueando a esclerostina, promovendo simultaneamente aumento da formação óssea e redução da reabsorção óssea.⁷
Segundo o protocolo, o tratamento é indicado para mulheres com osteoporose grave e falha terapêutica, sendo limitado a 12 meses.¹ Após esse período, deve-se realizar terapia antirreabsortiva para manutenção dos ganhos obtidos.¹˒⁴˒⁶
A incorporação do romosozumabe reforça a importância da correta estratificação de risco e da identificação precoce de pacientes com maior probabilidade de novas fraturas.¹˒³
Este conteúdo faz parte do nosso mapa mental sobre o protocolo da osteoporose no SUS.
Assista ao vídeo completo e entenda como aplicar a estratificação de risco e a árvore de decisão terapêutica na prática clínica.
Autoria

Ícaro Sampaio
Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFCG). Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE.
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