No segundo dia do 41st International Symposium on Intensive Care and Emergency Medicine (ISICEM 2022), tivemos uma mesa sobre distúrbios hidroeletrlíticos. Neste post, vamos falar sobre os principais pontos da palestra realizada pelo Dr. Arthur vam Zenten sobre hipofosfatemia e hipocalcemia.
Hipofosfatemia e hipocalcemia
A regulação do cálcio e do fostato é complexa e os sinais e sintomas de alterações são difíceis de reconhecer. As evidências disponíveis nesses contextos são contraditórias, não se sabe se hipocalcemia ou hipofosfatemua estão associadas a aumento de mortalidade, nem se a suplementação traz benefícios.
O palestrante começa trazendo o conceito de euboxia, ou seja, quando uma variável fisiológica está dentro da normalidade e falou sobre a necessidade de corrigirmos tudo o que não está dentro da normalidade. Porém, logo depois levantou dois questionamentos: hipocalcemia e hipofosfatemia são ruins ou uma resposta adaptativa? A suplementação de cálcio e fosfato são sempre benéficas?
Durante a apresentação, ele compartilhou dados de um estudo retrospectivo observacional, que está em preparação, de 1.468 pacientes admitidos em UTI em Gelderse Vallei Hospital, com medidas de cálcio e fostato. Como conclusão do estudo, ele apresentou que, após os ajustes por covariáveis:
- A incidência de hipocalcemia e a hipofosfatemia depende da referência da população usada (UTI x enfermaria).
- Níveis de cálcio e fosfato na UTI são menores (resposta adaptativa?)
- Hipocalcemia nem hipofosfatemia em qualquer dia na UTI não estão associadas a sobrevivência no dia 180.
- Tanto hipercalcemia quanto hiperfosfatemia estão associadas a menor sobrevivência no dia 180 de internação.
- Os limites para suplementação de cálcio e fosfato não são claros, precisamos de mais ensaios clínicos randomizados.
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