Logotipo Afya
Anúncio
Oncologia30 outubro 2026

Vacina experimental contra câncer de pâncreas ativa células T em 98,9%

Pesquisa com vacina contra câncer de pâncreas comparou recorrência, segurança e resposta imunológica após cirurgia e quimioterapia.
Por Gabriela Costa

O ensaio clínico AMPLIFY-7P, realizado por pesquisadores da Mayo Clinic e publicado na Nature Medicine, identificou resposta de células T em 98,9% dos pacientes avaliáveis após uma vacina experimental contra câncer de pâncreas. O estudo fase 2 investigou a camupepimute em pacientes previamente tratados. Apesar da ativação imunológica, a pesquisa não atingiu seu objetivo principal de sobrevida livre de doença.

O imunizante tem como alvo mutações do gene KRAS, presentes em cerca de 90% dos tumores pancreáticos mais comuns. Os pesquisadores randomizaram 144 adultos com adenocarcinoma ductal pancreático nos estágios I a III, portadores de mutações em KRAS e sem recorrência visível. Todos haviam passado por cirurgia e quimioterapia. Desse total, 96 receberam a vacina e 48 permaneceram em observação.

Resposta imunológica alcança 89 de 90 pacientes

A camupepimute contém peptídeos direcionados a sete variantes do KRAS mutado e componentes que favorecem sua chegada aos linfonodos. Entre 90 participantes avaliáveis, 89 desenvolveram resposta de células T específica contra essas alterações. O achado demonstra imunogenicidade, mas não corresponde à prevenção de recorrência em 98,9% dos pacientes.

Saiba mais: Radioterapia para câncer de pâncreas: uma diretriz de prática clínica da ASTRO

Qual foi a sobrevida livre de doença?

A mediana de sobrevida livre de doença foi de 23,8 meses com a vacina e 21,2 meses sob observação (HR 0,85; P = 0,5329). A diferença não comprovou benefício no desfecho primário. Aos seis meses, as proporções livres de doença foram de 75,7% e 61,7%, respectivamente, em análise com resultado exploratório.

Saiba mais: Câncer de pâncreas metastático: o que muda com o daraxonrasibe

Respostas de células T se associam à recorrência

Entre os vacinados, respostas imunológicas superiores a 9,17 vezes o nível inicial foram associadas a maior sobrevida livre de doença (HR 0,22). Essa comparação exploratória não estabelece causalidade. Eventos adversos de grau 3 ou superior ocorreram em 10,4% dos vacinados e 14,6% dos controles.

A vacina contra o câncer de pâncreas ainda exige confirmação na fase 3. Para a interpretação clínica, os autores destacam o tamanho limitado da amostra, o acompanhamento relativamente curto e a ausência de dados maduros de sobrevida global.

Saiba mais: Amplificação de KRAS lidera resistência ao daraxonrasib

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Oncologia