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Oncologia28 outubro 2026

Trastuzumabe rezetecana prolonga sobrevida no câncer de mama HER2-low

Ensaio clínico fase 3 publicado no JAMA demonstrou benefício em pacientes com doença avançada frente à quimioterapia. Confira eficácia e segurança.
Por Gabriela Costa

O trastuzumabe rezetecan demonstrou benefício significativo no tratamento do câncer de mama avançado HER2-low, com sobrevida livre de progressão mediana de 16,4 meses, em comparação com 6,8 meses entre pacientes que receberam quimioterapia convencional. Os resultados são do ensaio clínico randomizado de fase 3 HORIZON-Breast06, publicado em 23 de outubro de 2026 na revista JAMA.

O ensaio clínico randomizado, multicêntrico e aberto incluiu 551 mulheres, com idades entre 18 e 75 anos, recrutadas em 73 hospitais da China. As participantes apresentavam câncer de mama localmente recorrente irressecável ou metastático, com baixa expressão de HER2 (HER2-low), definida por imuno-histoquímica (IHQ) 1+ ou IHQ 2+ com hibridização in situ (ISH) negativa.

Sobrevida livre de progressão de doença (SLP) supera quimioterapia

As participantes foram randomizadas na proporção de 1:1 para receber: 

Trastuzumabe rezetecan: 6,4 mg/kg por via intravenosa, a cada três semanas (n=277).

Quimioterapia convencional: de escolha do médico (n=274). 

Os dois desfechos primários foram a SLP avaliada por revisão central independente e cega, tanto na população sem quimioterapia prévia para doença metastática quanto na população total.

Entre as 449 pacientes sem quimioterapia prévia para doença metastática, a mediana de SLP foi de 16,6 meses com trastuzumabe rezetecan, em comparação com 6,8 meses no grupo controle (HR 0,25; IC 95%: 0,19–0,33; p<0,001).

Na população total, que incluiu também pacientes previamente tratadas com uma linha de quimioterapia, a mediana de SLP foi de 16,4 meses versus 6,8 meses (HR 0,27; IC 95%: 0,21–0,34; p<0,001).

O benefício foi consistente nos principais subgrupos avaliados, incluindo pacientes com doença HER2-low e receptores hormonais positivos ou negativos.

Saiba mais: Atualizações da ESMO 2026 em câncer de mama metastático

Toxicidade hematológica exige atenção

O benefício de eficácia foi acompanhado de maior incidência de toxicidade hematológica.

Eventos adversos relacionados ao tratamento de grau 3 ou superior ocorreram em 84,1% das pacientes que receberam trastuzumabe rezetecan e em 67,9% daquelas tratadas com quimioterapia convencional.

Neutropenia, leucopenia e anemia estiveram entre as toxicidades mais frequentes. Reduções de dose foram necessárias em 50,4% das pacientes devido a eventos adversos relacionados ao tratamento.

A doença pulmonar intersticial foi registrada em sete pacientes (2,5%) tratados com trastuzumabe rezetecan, sem óbitos atribuídos a essa complicação.

Foram relatados três eventos adversos fatais relacionados ao tratamento no grupo trastuzumabe rezetecan (1,1%) e dois no grupo quimioterapia (0,7%).

Leia também: Desempenho do trastuzumabe deruxtecana no mundo real em câncer de mama 

Quais são as limitações e implicações clínicas?

Os resultados posicionam o trastuzumabe rezetecan como uma alternativa terapêutica promissora para pacientes com câncer de mama avançado HER2-low, incluindo aquelas com receptores hormonais negativos. Contudo, a definição de seu papel no tratamento dependerá de dados mais maduros de sobrevida global, comparações com terapias contemporâneas e avaliação cuidadosa do perfil de toxicidade.

Além disso, o estudo foi realizado exclusivamente na China, o que exige cautela na extrapolação dos resultados para outras populações.

A maior incidência de eventos adversos graves, especialmente hematológicos, deve ser considerada na avaliação do benefício clínico. Estudos adicionais serão importantes para definir seu posicionamento em relação aos demais conjugados anticorpo-fármaco disponíveis.

Leia mais: HER2-Low: Desfechos relatados pelas pacientes no estudo DESTINY-Breast 04 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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