O trastuzumabe rezetecan demonstrou benefício significativo no tratamento do câncer de mama avançado HER2-low, com sobrevida livre de progressão mediana de 16,4 meses, em comparação com 6,8 meses entre pacientes que receberam quimioterapia convencional. Os resultados são do ensaio clínico randomizado de fase 3 HORIZON-Breast06, publicado em 23 de outubro de 2026 na revista JAMA.
O ensaio clínico randomizado, multicêntrico e aberto incluiu 551 mulheres, com idades entre 18 e 75 anos, recrutadas em 73 hospitais da China. As participantes apresentavam câncer de mama localmente recorrente irressecável ou metastático, com baixa expressão de HER2 (HER2-low), definida por imuno-histoquímica (IHQ) 1+ ou IHQ 2+ com hibridização in situ (ISH) negativa.

Sobrevida livre de progressão de doença (SLP) supera quimioterapia
As participantes foram randomizadas na proporção de 1:1 para receber:
Trastuzumabe rezetecan: 6,4 mg/kg por via intravenosa, a cada três semanas (n=277).
Quimioterapia convencional: de escolha do médico (n=274).
Os dois desfechos primários foram a SLP avaliada por revisão central independente e cega, tanto na população sem quimioterapia prévia para doença metastática quanto na população total.
Entre as 449 pacientes sem quimioterapia prévia para doença metastática, a mediana de SLP foi de 16,6 meses com trastuzumabe rezetecan, em comparação com 6,8 meses no grupo controle (HR 0,25; IC 95%: 0,19–0,33; p<0,001).
Na população total, que incluiu também pacientes previamente tratadas com uma linha de quimioterapia, a mediana de SLP foi de 16,4 meses versus 6,8 meses (HR 0,27; IC 95%: 0,21–0,34; p<0,001).
O benefício foi consistente nos principais subgrupos avaliados, incluindo pacientes com doença HER2-low e receptores hormonais positivos ou negativos.
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Toxicidade hematológica exige atenção
O benefício de eficácia foi acompanhado de maior incidência de toxicidade hematológica.
Eventos adversos relacionados ao tratamento de grau 3 ou superior ocorreram em 84,1% das pacientes que receberam trastuzumabe rezetecan e em 67,9% daquelas tratadas com quimioterapia convencional.
Neutropenia, leucopenia e anemia estiveram entre as toxicidades mais frequentes. Reduções de dose foram necessárias em 50,4% das pacientes devido a eventos adversos relacionados ao tratamento.
A doença pulmonar intersticial foi registrada em sete pacientes (2,5%) tratados com trastuzumabe rezetecan, sem óbitos atribuídos a essa complicação.
Foram relatados três eventos adversos fatais relacionados ao tratamento no grupo trastuzumabe rezetecan (1,1%) e dois no grupo quimioterapia (0,7%).
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Quais são as limitações e implicações clínicas?
Os resultados posicionam o trastuzumabe rezetecan como uma alternativa terapêutica promissora para pacientes com câncer de mama avançado HER2-low, incluindo aquelas com receptores hormonais negativos. Contudo, a definição de seu papel no tratamento dependerá de dados mais maduros de sobrevida global, comparações com terapias contemporâneas e avaliação cuidadosa do perfil de toxicidade.
Além disso, o estudo foi realizado exclusivamente na China, o que exige cautela na extrapolação dos resultados para outras populações.
A maior incidência de eventos adversos graves, especialmente hematológicos, deve ser considerada na avaliação do benefício clínico. Estudos adicionais serão importantes para definir seu posicionamento em relação aos demais conjugados anticorpo-fármaco disponíveis.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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