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Oncologia13 outubro 2026

Sobrevida do câncer chega a 71% nos EUA; qual é o cenário no Brasil?

Dados internacionais mostram avanços por tipo de tumor, enquanto registros brasileiros revelam desafios para medir resultados oncológicos.
Por Gabriela Costa

A Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR) informou, em seu relatório de 2026, que a sobrevida do câncer em cinco anos nos Estados Unidos passou de 49%, entre pacientes diagnosticados em meados da década de 1970, para 71% entre os diagnosticados de 2016 a 2022. O avanço acompanha mudanças na prevenção, na detecção precoce e no tratamento oncológico.

No mesmo período de acompanhamento recente, os resultados variaram conforme o tumor e o estágio da doença. O documento também registrou redução de 35% na taxa geral de mortalidade por câncer entre 1991 e 2024, equivalente a mais de 4,8 milhões de mortes evitadas no país.

Doctor telling to patient woman the results of her medical tests. Doctor showing medical records to cancer patient in hospital ward. Senior doctor explaint the side effects of the intervention.

Sobrevida em cinco anos varia conforme o tipo de câncer

Nos Estados Unidos, a sobrevida relativa em cinco anos alcançou aproximadamente 98% no câncer de próstata e 92% no de mama, mas ficou em 14% no câncer de pâncreas e 7% no glioblastoma. Em doença metastática, os percentuais foram de cerca de 40% para próstata e 34% para mama, reforçando a importância do estágio ao diagnóstico.

Leia mais: Avaliação de sobrevida com trastuzumabe emtansina em pacientes com câncer de mama

Como o Brasil acompanha os resultados oncológicos?

No Brasil, ainda não há uma série nacional de sobrevida diretamente comparável à apresentada pela AACR. Um artigo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia discutiu a cobertura limitada dos registros populacionais e as dificuldades de acompanhar os pacientes ao longo do tempo. Essa lacuna impede a apresentação de um percentual único e atualizado para todo o país.

Para dimensionar o cenário nacional, o INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os números expressam incidência, não a proporção de pessoas que sobrevivem após o diagnóstico.

Saiba mais: Risco cardiovascular no tratamento do câncer: como fazer o monitoramento? -Parte 2

Desigualdades no diagnóstico e tratamento no Brasil

Segundo o INCA, desigualdades regionais ainda persistem no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno. O instituto estima 78.610 novos casos anuais de câncer de mama e 77.920 de próstata em 2026. Esses tumores também figuram entre os de maior sobrevida nos Estados Unidos, mas os resultados americanos não permitem estimar o prognóstico dos pacientes brasileiros.

A produção de indicadores de sobrevida a partir de registros populacionais e o acompanhamento dos pacientes são fundamentais para avaliar os resultados da assistência oncológica brasileira. Enquanto essa informação não estiver disponível em escala nacional, incidência, mortalidade e sobrevida devem ser apresentados como medidas distintas.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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