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Oncologia28 outubro 2026

INCA lança revisão sobre câncer de mama em mulheres negras

Incidência menor, mas maior frequência de tumores agressivos e diagnóstico tardio marcam o câncer de mama em mulheres negras, aponta revisão de 24 estudos.

O INCA lançou em 27 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, uma síntese de 24 estudos sobre câncer de mama em mulheres negras. Segundo a obra, pretas e pardas têm menor incidência registrada de câncer de mama, mas, nos estudos internacionais, o subtipo triplo-negativo é mais frequente.

Intitulada Disparidades raciais na incidência de câncer de mama, a publicação reúne pesquisas de seis países, entre eles o Brasil. O lançamento coincidiu com a celebração do Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra e incluiu a cartilha Saúde com Axé.

Mulher negra com as mãos sobre os seios, representando o câncer de mama em mulheres negras

Câncer de mama triplo-negativo tem risco cerca de duas vezes maior em negras

Nos estudos internacionais revisados, o triplo-negativo (CMTN), subtipo mais agressivo e com pior prognóstico, teve risco cerca de duas vezes maior em negras que em brancas. Além disso, nas negras, o diagnóstico também ocorre em idade mais jovem.

A coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA, Márcia Sarpa, citou ainda diagnóstico avançado em 60% das negras e 50% das brancas. Para a revisão, a detecção tardia limita o tratamento efetivo.

Márcia relatou ainda aumento da mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior entre negras que entre brancas, de 2000 a 2020. Nesse sentido, o estudo brasileiro revisado liga desvantagens socioeconômicas a diagnósticos tardios e mais óbitos.

Saiba mais: Terapia neoadjuvante no câncer de mama triplo-negativo

Por que a incidência de câncer de mama é mais baixa entre pretas e pardas?

O único estudo nacional elegível analisou 70.896 casos de 13 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), de 2000 a 2019. Segundo a revisão, as taxas ajustadas por idade foram de 101,3 por 100 mil brancas e de 59,7 por 100 mil negras, o que, porém, pode não indicar menor risco.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), entre mulheres de 50 a 69 anos, fazem mamografia de rastreamento 61,8% das brancas, 56,5% das pretas e 54,4% das pardas. Nesse sentido, a menor cobertura mamográfica pode reduzir os casos detectados de câncer de mama em mulheres negras.

Saiba mais: ANS mantém rastreamento de câncer de mama para mulheres a partir dos 40 anos

Publicação defende dados por raça e cor nos registros de câncer

A obra do INCA recomenda fortalecer os RCBP e qualificar os dados por raça e cor nos sistemas de informação. Esses sistemas não registram de forma sistemática o subtipo molecular, o que limita estudos nacionais sobre CMTN. O material pede ainda prevenção com recorte étnico-racial e acesso sem barreiras a rastreamento e tratamento.

Um segundo volume tratará de mortalidade e sobrevida do câncer de mama em mulheres negras. A intenção é complementar o retrato atual da incidência de câncer de mama no Brasil e no mundo.

Saiba mais: Saiba como combater o racismo estrutural nas instituições de saúde

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas

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