O INCA lançou em 27 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, uma síntese de 24 estudos sobre câncer de mama em mulheres negras. Segundo a obra, pretas e pardas têm menor incidência registrada de câncer de mama, mas, nos estudos internacionais, o subtipo triplo-negativo é mais frequente.
Intitulada Disparidades raciais na incidência de câncer de mama, a publicação reúne pesquisas de seis países, entre eles o Brasil. O lançamento coincidiu com a celebração do Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra e incluiu a cartilha Saúde com Axé.

Câncer de mama triplo-negativo tem risco cerca de duas vezes maior em negras
Nos estudos internacionais revisados, o triplo-negativo (CMTN), subtipo mais agressivo e com pior prognóstico, teve risco cerca de duas vezes maior em negras que em brancas. Além disso, nas negras, o diagnóstico também ocorre em idade mais jovem.
A coordenadora de Prevenção e Vigilância do INCA, Márcia Sarpa, citou ainda diagnóstico avançado em 60% das negras e 50% das brancas. Para a revisão, a detecção tardia limita o tratamento efetivo.
Márcia relatou ainda aumento da mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior entre negras que entre brancas, de 2000 a 2020. Nesse sentido, o estudo brasileiro revisado liga desvantagens socioeconômicas a diagnósticos tardios e mais óbitos.
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Por que a incidência de câncer de mama é mais baixa entre pretas e pardas?
O único estudo nacional elegível analisou 70.896 casos de 13 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), de 2000 a 2019. Segundo a revisão, as taxas ajustadas por idade foram de 101,3 por 100 mil brancas e de 59,7 por 100 mil negras, o que, porém, pode não indicar menor risco.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), entre mulheres de 50 a 69 anos, fazem mamografia de rastreamento 61,8% das brancas, 56,5% das pretas e 54,4% das pardas. Nesse sentido, a menor cobertura mamográfica pode reduzir os casos detectados de câncer de mama em mulheres negras.
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Publicação defende dados por raça e cor nos registros de câncer
A obra do INCA recomenda fortalecer os RCBP e qualificar os dados por raça e cor nos sistemas de informação. Esses sistemas não registram de forma sistemática o subtipo molecular, o que limita estudos nacionais sobre CMTN. O material pede ainda prevenção com recorte étnico-racial e acesso sem barreiras a rastreamento e tratamento.
Um segundo volume tratará de mortalidade e sobrevida do câncer de mama em mulheres negras. A intenção é complementar o retrato atual da incidência de câncer de mama no Brasil e no mundo.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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