Logotipo Afya
Anúncio
Oncologia30 setembro 2026

Aspirina não reduz recidiva após metástases hepáticas do câncer colorretal

Ensaio ASAC de fase 3 avaliou terapia adjuvante após tratamento curativo do câncer colorretal e não identificou benefício clínico.
Por Gabriela Costa

O estudo ASAC, publicado no The Lancet Gastroenterology & Hepatology, avaliou se iniciar aspirina após tratamento com intenção curativa de metástases hepáticas de câncer colorretal reduziria recorrência ou morte. O artigo comparou aspirina 160 mg ao dia com placebo por até três anos, ou até recorrência, morte ou interrupção do tratamento em 14 centros da Noruega, Suécia e Dinamarca. 

Dos 466 pacientes randomizados entre dezembro de 2017 e janeiro de 2022, 428 iniciaram a intervenção e entraram na análise principal. Foram 217 no grupo aspirina e 211 no placebo. 

White pills on gray background

Sobrevida livre de doença não melhora com aspirina 

A aspirina não aumentou de forma estatisticamente significante a sobrevida livre de doença, que foi o principal desfecho do estudo. A mediana de tempo até recorrência ou morte foi de 1,13 ano no grupo aspirina e de 1,40 ano no grupo placebo. A análise estatística também não mostrou diferença significativa entre os grupos. 

O tempo até a recorrência também não mudou entre os grupos. Os autores não identificaram evidência de efeito diferente conforme mutações em PIK3CA ou KRAS. 

Saiba mais: Há benefício de quimioterapia após hepatectomia no câncer colorretal avançado?  

O que o câncer colorretal metastático mostra sobre sobrevida global? 

A sobrevida global em 36 meses foi de 75,7% com aspirina e 84,9% com placebo. O hazard ratio para morte foi 1,64, com intervalo de confiança de 95% entre 1,01 e 2,65. Esse desfecho era secundário e o estudo não foi desenhado nem dimensionado prioritariamente para avaliá-lo. 

Os autores também não coletaram dados detalhados sobre tratamentos recebidos após a recorrência. Essa limitação reduz a capacidade de explicar a diferença observada na sobrevida global. 

Veja mais: Guideline atualizado ESMO para manejo do câncer colorretal metastático em 2026  

Eventos adversos graves atingiram 7,8% dos participantes em uso de aspirina 

Eventos adversos graves ocorreram em 17 de 217 participantes (7,8%) com aspirina e em quatro de 211 (1,9%) com placebo. Epistaxe, úlcera duodenal, hemorragia cerebral e infarto do miocárdio foram mais frequentes com aspirina. Não houve mortes relacionadas ao tratamento. 

O ASAC avaliou iniciar aspirina em pessoas que não a utilizavam previamente. Portanto, os resultados não definem a conduta para quem já recebia o medicamento por outra indicação. Os autores não apoiam iniciar aspirina rotineiramente apenas para prevenir recorrência após tratamento com intenção curativa das metástases hepáticas. 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista pela Universidade Federal Fluminense.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Oncologia