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Infectologia6 novembro 2026

Metanálise avalia duração da terapia em infecções ósseas

Infecções ósseas em foco com análise de falha terapêutica, eventos adversos e implicações para a individualização da conduta
Por Camila Rangel

A duração do tratamento antimicrobiano nas infecções ósseas permanece um tema controverso. A incidência de osteomielite vem aumentando ao longo dos anos, acompanhada de um grande impacto financeiro. Na prática, esquemas prolongados ainda predominam, sobretudo na infecção periprotética. 

Por outro lado, as diretrizes mais recentes têm favorecido cursos de tratamento mais curtos e individualizados para cada caso, tendo em vista os riscos de toxicidade, eventos adversos e seleção de resistência pelo uso prolongado de antimicrobianos. 

Até 2019, as metanálises apoiavam-se principalmente em estudos observacionais, e as análises consideravam apenas dados por intenção de tratar (ITT). Um estudo publicado em 2026 na revista Infection investigou ensaios clínicos randomizados (ECR) sobre o tema, a partir de análises por ITT e por protocolo (PP). 

Ilustração conceitual de infecções ósseas. Autor: Emmanuel

Ilustração conceitual de infecções ósseas. Autor: Emmanuel

Como a metanálise comparou os tratamentos? 

A busca foi realizada nas plataformas PubMed, Embase, Cochrane, Web of Science e ClinicalTrials.gov até fevereiro de 2026, com protocolo registrado no PROSPERO. Foram incluídos dez ECR publicados entre 2002 e 2025, totalizando 1.335 pacientes. Os estudos avaliaram infecções periprotéticas, osteomielite hematogênica aguda pediátrica, osteomielite em pé diabético e osteomielite vertebral. 

O desfecho primário analisado foi a falha terapêutica, definida como recorrência, infecção persistente ou necessidade de intervenção adicional não planejada. Dessa forma, os eventos adversos relacionados ao uso de antibióticos constituíram o desfecho secundário. 

Os pesquisadores avaliaram a qualidade metodológica com a ferramenta da Cochrane para risco de viés (Risk of Bias — ROB1) e a certeza da evidência com o GRADE.

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Eventos adversos ocorrem menos com tratamento curto 

Análise por intenção de tratar: a falha do tratamento ocorreu em 12,8% dos pacientes no grupo de curso curto e em 10,8% no grupo de curso longo, sem diferença significativa entre os dois grupos (RR 1,12; IC 95% 0,77–1,62; p = 0,55). 

Análise por protocolo: a falha ocorreu em 10,2% dos pacientes no grupo de curso curto e em 6,8% no grupo de curso longo, sugerindo uma possível associação entre menor tempo de tratamento e falha terapêutica (RR 1,47; IC 95% 1,00–2,16; p = 0,05). 

A incidência de eventos adversos relacionados ao uso de antimicrobianos foi menor no grupo de curso curto de tratamento. Assim, a certeza da evidência, avaliada pelo GRADE, foi moderada para falha terapêutica, devido à imprecisão, e alta para eventos adversos. 

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Individualize a duração da antibioticoterapia 

O estudo apresentou limitações importantes, como o número de ECR e, consequentemente, de pacientes incluídos. Nenhum ensaio foi duplo-cego, e apenas três relataram sigilo de alocação. 

Outro ponto importante é a definição de tempo “curto” e “longo”, que variou entre os estudos. Além disso, a heterogeneidade das apresentações clínicas das infecções ósseas, da escolha dos antibióticos e das vias de administração pode limitar a generalização dos resultados. 

Por fim, os dados reforçam a tendência de redução no tempo de tratamento e de individualização da conduta, considerando o tipo de infecção, o controle cirúrgico do foco infeccioso, a resposta clínica e a evolução dos marcadores laboratoriais. 

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Autoria

Foto de Camila Rangel

Camila Rangel

Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.

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