Em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) com mutações de resistência, formar um esquema antirretroviral que seja eficaz e bem tolerado pode ser desafiador. Recomenda-se que esquemas otimizados contenham 2 a 3 fármacos ativos, escolhidos baseado em testes de resistência e histórico de tratamento.
O Dolutegravir (DTG) é um dos principais antirretrovirais utilizados atualmente, constituindo uma grande proporção dos esquemas dispensados ao redor do mundo. Já o Fostemsavir (FSP) é um inibidor de adesão indicado para tratamento de resgaste em PVHIV multiexperimentados.
Dois estudos recentes – VIKING-3 e BRIGHTE – avaliaram a eficácia de esquemas de DTG em dose dobrada e de FSP em PVHIV com opções limitadas de tratamento. Os resultados conjuntos desses estudos de fase 3 foram publicados na Open Forum Infectious Diseases.

Como os estudos VIKING-3 e BRIGHTE avaliaram o HIV resistente
O estudo VIKING-3 incluiu adultos com HIV resistente que eram multiexperimentados e que estavam em falha terapêutica com esquemas contendo Raltegravir (RAL) ou Elvitegravir (EVG), mas que tinham pelo menos um antirretroviral completamente ativo como opção. Já o BRIGHTE é um estudo de fase 3 que incluiu adultos com HIV resistente em falha terapêutica, com no máximo duas classes de antirretrovirais ativas.
Ambos os estudos avaliaram a proporção de supressão virológica na semana 96. A contagem de células T-CD4, proporção de células CD4/CD8 e desfechos de segurança também foram avaliados na semana 96.
Perfil dos pacientes nos estudos VIKING-3 e BRIGHTE
O VIKING-3 incluiu 183 participantes, com uma mediana de 48 anos e predominância de homens e de participantes de etnia branca. A mediana de CD4 foi de 140 células/mm³. A prevalência de resistência primária à integrase foi de 67% e os antirretrovirais mais utilizados foram Darunavir + ritonavir (DRV/r) e Tenofovir/emtricitabina (TDF/FTC).
O BRIGHTE contou com 272 participantes, também com uma mediana de 48 anos e maioria de homens e pessoas brancas. A mediana de CD4 foi de 100 células/mm³. A prevalência de resistência primária à integrasse foi de 43% e os antirretrovirais mais utilizados foram DTG e DRV/r.
Supressão virológica com Dolutegravir e Fostemsavir
No VIKING-3, a proporção de participantes com carga viral RNA-HIV < 50 cópias/mL foi de 69% e 63% nas semanas 24 e 48, respectivamente. A proporção de participantes com carga viral < 50 cópias/mL foi de 84% e a de pacientes com carga viral < 100 cópias/mL foi de 93% na semana 96. No BRIGHTE, a proporção de participantes com resposta virológica e carga viral < 40 cópias/mL foi de 60% na semana 96%.
Recuperação imunológica após 96 semanas de tratamento
Em ambos os estudos, houve aumento na contagem de células T-CD4 e na proporção CD4/CD8, com uma de mediana de aumento de células CD4 do início do estudo até a semana 96 de 160 células/mm³ e de 175 células/mm³ no VIKING-3 e no BRIGHTE, respectivamente. A mediana da proporção CD4/CD8 também aumentou nos dois estudos, indo de 0,15 para 0,32 na semana 48 no VIKING-3 e 0,14 para 0,36 na semana 96 no estudo BRIGHTE.
Segurança e eventos adversos dos esquemas de resgate
O perfil de segurança também foi semelhante entre os dois esquemas, com 92% dos participantes relatando algum tipo de evento adverso tanto no VIKING-3 quanto no BRIGHTE, dos quais 1% e 3%, respectivamente, foram considerados como relacionados aos medicamentos. A proporção de descontinuação de tratamento por eventos adversos foi de 4% no VIKING-3 e de 5% no BRIGHTE.
Autoria

Isabel Melo
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Infectologia pela mesma instituição (2020). Além da atuação na Afya, é médica no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.
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