O estudo VOLITION, um estudo multicêntrico de fase 3b, aberto e não randomizado, avaliou uma estratégia de tratamento para adultos que vivem com HIV virgens de tratamento. O objetivo foi verificar se o início do tratamento com Dolutegravir associado à Lamivudina (DTG/3TC) permitiria alcançar rapidamente a supressão virológica e, em seguida, realizar uma troca precoce para Cabotegravir associado à Rilpivirina de longa ação (CAB+RPV LA), administrados por via intramuscular a cada dois meses.

Dolutegravir e Lamivudina alcançam supressão virológica rápida
Participaram 171 pessoas, que iniciaram DTG/3TC por até 16 semanas. A supressão virológica foi definida como carga viral inferior a 50 cópias/mL. O tempo mediano para atingir esse resultado foi de 4,1 semanas, e 167 participantes (98%) alcançaram a supressão. Os resultados foram semelhantes entre os diferentes grupos de carga viral inicial e de contagem de células CD4. Entre os 151 participantes elegíveis para escolher a estratégia seguinte, 129 (85%) optaram por trocar para o esquema injetável.
Qual foi a eficácia do Cabotegravir e Rilpivirina injetáveis?
No mês 11, 113 dos 129 participantes que escolheram CAB+RPV LA (88%) mantinham a supressão virológica segundo a análise modificada por Snapshot. Considerando apenas os participantes com dados virológicos disponíveis, a proporção foi de 113 em 119 (95%). Foi relatado um caso de falha virológica confirmada, associado ao aparecimento de resistência a inibidores da integrase e a inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa. Entre os participantes que permaneceram com DTG/3TC, 29 de 38 (76%) apresentavam supressão no mês 12 pela análise modificada por Snapshot; entre aqueles com dados virológicos disponíveis, foram 29 de 33 (88%). A interpretação dos resultados desse último grupo é limitada pelo seu tamanho reduzido e pela disponibilidade de dados.
Segurança dos antirretrovirais mantém perfil favorável
Os dois esquemas foram, em geral, bem tolerados, sem identificação de novos sinais de segurança. Durante a fase oral, 10% dos participantes relataram eventos adversos relacionados ao tratamento, nenhum deles de grau 3 ou superior. No grupo que recebeu as injeções, 51% relataram eventos adversos relacionados ao tratamento, principalmente reações no local da aplicação, geralmente leves ou moderadas. Não foram observados eventos adversos graves relacionados ao tratamento, interrupções por esses eventos ou mortes.
A satisfação com o tratamento aumentou após a troca para o regime injetável. A pontuação média no questionário HIVTSQ passou de 57,6 para 62,5, em uma escala de 0 a 66, e 89% dos participantes que responderam no mês 11 pretendiam continuar com CAB+RPV LA após o estudo. Esses resultados sugerem que a opção injetável pode ser bem aceita por pessoas que desejam reduzir a frequência da administração diária de medicamentos orais.
Quando o desenho do estudo limita a interpretação dos resultados
Os autores destacam limitações importantes: por ser um estudo aberto e não randomizado, a escolha do tratamento pelos próprios participantes pode ter introduzido viés de seleção e limitar a generalização dos resultados. Além disso, o grupo que permaneceu com o tratamento oral foi pequeno. Assim, os achados devem ser interpretados levando essas limitações em consideração.
Em conclusão, o estudo indica que o início com Dolutegravir + lamivudina pode levar à supressão virológica em poucas semanas e possibilitar uma troca precoce, para quem opta por ela, para Cabotegravir + rilpivirina de longa ação, mantendo altas proporções de supressão entre os participantes com dados disponíveis e elevada satisfação com o tratamento. A estratégia pode contribuir para uma abordagem individualizada, com decisão compartilhada entre profissional de saúde e paciente.
Autoria

Raissa Moraes
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência e mestrado em Infectologia pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Atua na área de doenças infecciosas e controle de infecções.
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