Logotipo Afya
Anúncio
Infectologia30 setembro 2026

Estudo estima 2,3 milhões de casos de câncer atribuíveis a infecções no mundo

Análise aponta H. pylori e HPV como principais agentes de câncer por infecções
Por Luciano Lucas

Pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estimam 2,3 milhões de casos de câncer por infecções no mundo em 2024. O total equivale a 12% dos cânceres, com H. pylori e HPV à frente. Publicada na Lancet Oncology, a análise reforça a prevenção do câncer pelo controle de infecções.

Com dados do GLOBOCAN 2024, o estudo avaliou 12 agentes do Grupo 1 da IARC e 16 novos pares de infecção e câncer, como o HIV e o poliomavírus de células de Merkel.

Radioterapia para câncer de pâncreas: uma diretriz de prática clínica da ASTRO 

H. pylori e HPV lideram entre os 12 agentes avaliados

Veja os agentes com mais casos de câncer atribuídos em 2024:

  • H. pylori: 760 mil casos, sobretudo cânceres gástricos não cárdia;
  • HPV: 750 mil casos, principalmente cervicais;
  • Hepatite B: 360 mil casos;
  • Vírus Epstein-Barr (EBV): 260 mil casos;
  • Hepatite C: 160 mil casos.

O estudo ainda destaca que os casos gástricos ligados ao H. pylori devem crescer ainda mais com o envelhecimento populacional.

Como varia a distribuição regional dos casos no mundo?

A carga de câncer por infecções se concentra em algumas regiões e nos países de menor renda:

  • Leste asiático: 990 mil casos, 42% do total mundial;
  • África Subsaariana: infecções explicam 25% dos cânceres, puxados por HPV e herpesvírus do sarcoma de Kaposi e agravados pelo HIV;
  • Países de baixa e média renda: 77% dos casos, com acesso desigual a prevenção e tratamento;
  • América do Sul: 130 mil casos, com proporção de cânceres causados por infecções e taxa padronizada próximas da média global
    • HPV: 55 mil casos, a maior taxa das Américas
    • H. pylori: 51 mil casos, também com a maior taxa das Américas

Saiba mais: Estudo estima que mortes por câncer devem crescer em 75% até 2050

Autores defendem a prevenção

O estudo cita vacinação contra HPV e hepatite B, testagem e tratamento de HIV, H. pylori e hepatites e rastreamento de lesões precursoras. Muitas delas têm bom custo-benefício, mas seguem subutilizadas por barreiras sociais, financeiras e políticas.

No Brasil, o SUS oferece a vacina quadrivalente contra o HPV dos 9 aos 14 anos. Em 2026, a Anvisa estendeu a indicação da nonavalente aos cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço.

Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura da vacinação contra hepatite B ao nascer alcançou 100% em 2025. Esse resultado, juntamente com outros indicadores, embasou o pedido de certificação da eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública.

Para o EBV, ligado também à parte dos cânceres gástricos, ainda não há vacina eficaz, mas há ensaios em andamento. Os autores da análise defendem desenvolver vacinas contra o EBV, o H. pylori e o herpesvírus associado ao sarcoma de Kaposi (KSHV/HHV-8) para ampliar a prevenção do câncer por infecções.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Luciano Lucas

Luciano Lucas

Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Infectologia