O Ministério da Saúde contabilizou 9.904 positivos para HPV de alto risco em 93 mil amostras do teste DNA-HPV analisadas no SUS em 2026. O índice, pouco acima de 10%, integra um balanço da pasta cedido com exclusividade ao G1. O dado é importante, pois com a genotipagem do HPV, o rastreamento do câncer do colo do útero permite identificar infecções oncogênicas e orientar a investigação de possíveis lesões precursoras
Além disso, entre 2026 e 2028, o INCA projeta cerca de 19,3 mil casos novos da doença por ano. Nesse sentido, segundo o instituto, programas organizados de rastreamento podem reduzir a incidência e a mortalidade da doença.
Saiba mais: Teste de DNA para HPV detecta até seis vezes mais infecções que Papanicolau

Como a genotipagem do HPV define o encaminhamento para colposcopia?
Vale destacar, por outro lado, que o resultado positivo do DNA-HPV não significa câncer, e a conduta depende do genótipo. Pelas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, de 2025, os tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos, levam direto à colposcopia.
Nos demais tipos oncogênicos, faz-se citologia reflexa na mesma amostra, e a colposcopia depende de alteração ou material insuficiente. Por outro lado, conforme recomendação do INCA, a persistência de HPV não 16/18 por 24 meses também indica colposcopia.

Giovanna Tiemy Marchelli Yui, médica da Afya, explica que “receber um resultado positivo para HPV pode gerar muito medo e ansiedade. Muitas mulheres associam imediatamente o resultado ao câncer ou enfrentam sentimentos de culpa e insegurança relacionados à transmissão sexual do vírus. Por isso, o acolhimento e a comunicação são fundamentais.”
Ela acrescenta que enquanto médicos “precisamos explicar que o HPV é extremamente comum, que um resultado positivo não significa diagnóstico de câncer e que não é possível determinar quando a infecção foi adquirida. Além disso, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico controla a infecção, que se torna indetectável em um a dois anos. O que merece maior atenção é a persistência do HPV oncogênico, associada ao risco de desenvolvimento de lesões precursoras.”
Para a especialista, por fim, “mais do que comunicar um resultado, nosso papel é esclarecer, combater o estigma e garantir que essa mulher compreenda os próximos passos do seu acompanhamento, sem alarmismo e sem julgamentos.”
Saiba mais: HPV: As Novas Diretrizes de Rastreamento e o Impacto na Prática Clínica
Rastreamento do câncer do colo do útero já alcança 26 unidades da federação
Desde 2025, a rede pública no Brasil somou 153 mil coletas, e o teste DNA-HPV já chega a 26 das 27 UFs. Como cada estado começou por ao menos um município, o acesso ainda é parcial nos estados.
Gestores das 27 UFs, treinados no novo protocolo, orientam as equipes das UBS, que fazem a coleta. Nos casos previstos, porém, a autocoleta é admitida após orientação profissional. Os kits vêm do Instituto de Biologia Molecular do Paraná, da Fiocruz. Além deles, o ministério avalia outras tecnologias de qualidade compatível com o SUS, o que pode diversificar a oferta do teste DNA-HPV.
Saiba mais: SUS passará a oferecer nova tecnologia para detecção de câncer do colo do útero
Papanicolau permanece nas localidades ainda sem teste molecular DNA-HPV
As Diretrizes de 2025 tornaram o teste molecular o exame primário entre 25 e 64 anos e com resultado negativo, repete-se a cada cinco anos, pela maior sensibilidade frente à citologia. Após os 60 anos, o teste negativo encerra o rastreamento, salvo após tratamento de NIC2, NIC3 ou adenocarcinoma in situ. Nesses casos, a recomendação 14 prevê seguimento prolongado até 25 anos após o tratamento, enquanto o rastreamento for possível e aceitável.
Por fim, destaca-se que onde o DNA-HPV ainda não chegou, o Papanicolau continua válido. Nesses locais, o intervalo é trienal, depois de dois exames anuais normais.
Até a publicação dessa matéria, o Espírito Santo ainda não tinha iniciado o rastreamento do câncer do colo do útero com o novo método. Apesar disso, a remessa dos insumos ao estado está prevista ainda para 2026.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.