Um estudo brasileiro apresentado no congresso internacional Eurogin 2026, na Áustria, mostrou que o teste de DNA para HPV de alto risco pode identificar até seis vezes mais infecções do que o exame de Papanicolau. A pesquisa integra o Projeto Tenda+ e analisou 753 amostras cervicais coletadas em mulheres de 18 a 79 anos no Distrito Federal.
Os resultados indicaram positividade para HPV em 16,6% das amostras por meio da genotipagem molecular, enquanto o Papanicolau detectou alterações celulares em apenas 2,92% dos casos. O achado reforça a maior sensibilidade do método molecular para identificar infecções antes do desenvolvimento de lesões.
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Detecção precoce do HPV é chave para prevenir câncer
O papilomavírus humano (HPV) está relacionado a quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, doença que causou mais de 7 mil mortes no Brasil em 2025. A identificação precoce do vírus é considerada essencial para interromper a progressão para o câncer.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde tem ampliado o uso do teste de DNA-HPV como principal estratégia de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro já adotaram o exame, com previsão de expansão nacional até 2026.
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Apesar da maior sensibilidade do teste molecular, especialistas destacam que ele não substitui completamente o Papanicolau. Na prática, os métodos são complementares e devem ser utilizados de forma integrada, de acordo com o tipo de HPV identificado.

Novo modelo prioriza casos de maior risco
O novo protocolo prevê que mulheres com HPV-16 ou HPV-18 (genótipos mais associados ao câncer) sejam encaminhadas diretamente para colposcopia. Já aquelas com outros tipos de alto risco passam inicialmente pela citologia.
Essa estratégia busca agilizar o diagnóstico nos casos mais graves e evitar exames desnecessários em situações de menor risco. Além disso, amplia a capacidade de detecção precoce e qualifica o acompanhamento clínico.
Os dados do estudo também mostraram maior concentração de infecções entre mulheres de 40 a 60 anos. Entre os genótipos mais frequentes estão HPV-16, HPV-68 e HPV-66.
A vacinação segue como principal forma de prevenção e está disponível no SUS para pessoas de 9 a 14 anos, com ampliação recente para jovens de até 19 anos.
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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