Pesquisadores da Fiocruz associaram a seca na gestação a maior chance de prematuridade. A coorte também ligou a exposição ao recém-nascido pequeno para a idade gestacional. Publicado em julho de 2026 no The Lancet Regional Health Americas, o estudo cruzou dados de nascimento e de clima do país.
A análise incluiu cerca de 29,8 milhões de nascidos vivos entre 2001 e 2020. A base reúne a parcela mais vulnerável da população, inscrita em programas sociais. A seca foi medida pelo índice SPEI, que combina precipitação e evapotranspiração, em períodos de 3, 6 e 9 meses antes do parto.
Seca extrema se associa a chance 5% maior de prematuridade
Em todas as janelas, a seca se associou a chance cerca de 2% maior de parto prematuro. Esse aumento equivale a 1,4 a 1,7 casos extras a cada mil nascimentos. Na janela de 6 meses, a OR estimada foi de 1,021 na ausência de dias de calor extremo e de 1,031 no cenário com 20 dias de calor extremo, considerando a exposição à seca.
Como a seca se relaciona ao recém-nascido pequeno para a idade gestacional?
Na seca de 6 e 9 meses, a chance de recém-nascido pequeno para a idade gestacional foi 1% a 2% maior entre 2011 e 2020. Isso representa 0,8 a 1,5 casos extras a cada mil nascimentos, com estimativas maiores nas secas prolongadas. Já o baixo peso ao nascer a termo não mostrou associação consistente com a seca na gestação.
Biomas e IDH municipal modulam a associação com a seca
A associação com prematuridade foi maior na Amazônia, no Cerrado e no Pampa. Na Caatinga, a relação se inverteu, possivelmente por viés de nascido vivo. Os autores levantam a hipótese de que perdas fetais durante secas graves possam selecionar as gestações que chegam ao nascimento. O estudo, porém, não avaliou essas perdas.
Nos municípios com IDH muito baixo, a seca prolongada se associou a chance de 8% a 10% maior de parto prematuro. Para os autores, condições socioeconômicas desfavoráveis ampliam a vulnerabilidade aos efeitos da seca.
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A seca na gestação também interagiu com o calor extremo na chance de prematuridade. Na janela de 6 meses, a OR passou de 1,021 com a seca isolada para 1,031 com 20 eventos de calor extremo. Os autores veem nesse dado um possível agravamento dos desfechos quando estressores climáticos coexistem.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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