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Cirurgia29 novembro 2024

Padronização das ressecções cirúrgicas em câncer de cólon: visão do ACS

Pensando no aumento das chances de cura, a Comissão de Câncer publicou a padronização para colectomias no tratamento do câncer de cólon. 
Por Jader Ricco

O câncer de colón é um dos tumores mais frequentes no Brasil e no mundo. As chances de cura e sobrevida dependem de vários fatores como diagnóstico precoce e tratamento correto. 

As cirurgias representam o tratamento mais eficaz para essa doença com grandes chances de cura, desde que seja realizada nos padrões oncológicos. Assim, é fundamental considerar margens cirúrgicas, linfadenectomia e estruturas adjacentes envolvidas pelo tumor. A padronização de condutas cirúrgicas é de grande importância para otimizar o tratamento e aumentar as chances de cura. 

 

Metodologia 

A Comissão de Câncer do Colégio Americano de Cirurgiões (ACS – American College of Surgeons) desenvolve padrões de condutas cirúrgicas baseadas em evidência para vários tipos de câncer, divididos por local de doença. Essas recomendações, realizadas por um time altamente qualificado de especialistas, visam estabelecer um padrão nas ressecções cirúrgicas de diversos tipos de câncer para se obter resultados satisfatórios com tais procedimentos. Em 2024, a Comissão de Câncer publicou a padronização para colectomias no tratamento do câncer de cólon. 

Veja também: Estratégias cirúrgicas em câncer colorretal obstrutivo avançado – Portal Afya

 

Discussão 

As colectomias curativas no câncer de colón, envolvem a ressecção de todo segmento acometido pelo tumor bem como a ligadura do pedículo vascular desse segmento na sua origem. Isso permite uma ressecção com margem cirúrgica adequada, além de otimizar a linfadenectomia. Além disso, estruturas envolvidas pelo tumor devem ser removidas em bloco junto com o segmento do colón acometido.  

A importância da linfadenectomia vem sendo reportada há mais de 20 anos, com o estudo Intergroup 0089. A sobrevida dos pacientes está intimamente relacionada ao número de linfonodos ressecados. Foi estabelecido um número mínimo de 12 linfonodos nas colectomias para câncer. Isso garante uma linfadenectomia adequada além de permitir um estadiamento mais correto da doença, o que tem implicações diretas em terapias sistêmicas futuras. 

A ligadura vascular recomendada é na origem do pedículo vascular principal do segmento acometido, o que permite a ressecção correta do mesecólon em sua base e otimiza a linfadenectomia. Dessa forma, em tumores localizados no cólon ascendente, a ligadura vascular recomendada é na origem dos vasos ileocólicos e cólica direita (quando presente). Tumor na flexura hepática envolve tanto a ileocólica e cólica direita quanto a cólica média. Para os localizados no cólon transverso, a ligadura da cólica média. Os localizados na flexura esplênica envolvem, além da cólica média, a cólica esquerda ascendente. No colón descendente, a ligadura deve ser a cólica esquerda ascendente e a artéria mesentérica inferior. Finalmente, para tumor em cólon sigmoide, a ligadura deve ser feita na origem da mesentérica inferior. 

 

Conclusão 

A cirurgia é o tratamento padrão-ouro para os cânceres de cólon ressecáveis. As ressecções devem seguir um padrão que envolve margens cirúrgicas, linfadenectomia e ressecção vascular corretas.  

A não realização desses preceitos têm implicações importantes na sobrevida do paciente, pois podem interferir no estadiamento incorreto da doença e, consequentemente, tratamento adjuvante inadequado, na recidiva e qualidade de vida. Em se tratando de um tumor que é uma das principais causas de morte por câncer, um mau prognóstico devido à falha técnica deve ser evitado ao máximo.

 

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Referências bibliográficas

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