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Carreira22 janeiro 2026

Entenda quais áreas médicas seguir além da clínica e da cirurgia

A medicina tradicional, dividida quase que exclusivamente entre clínica ou cirúrgica, está mudando e ampliando as possibilidades de carreira

Clínica ou cirúrgica? Quantas vezes você ouviu, respondeu ou fez essa pergunta durante a faculdade de medicina ou depois dela, na escolha de qual residência médica seguir? Apesar de a pergunta continuar sendo feita da mesma forma, não importa qual seja o seu ano de formação, as respostas para ela vêm mudando.

Há alguns anos, essa divisão quase que exclusiva entre clínica e cirúrgica está perdendo sentido na profissão com o surgimento, ou descoberta por parte de nós, médicos, de novas áreas de carreira. Elas nos permitem manter a prática clínica como estamos habituados, mas também expandir a atuação para campos como gestão, educação, análise de dados, tecnologia, inovação, empreendedorismo e tantas outras.

O conceito tradicional de medicina como conhecemos, centrado no paciente, na consulta e no ato clínico ou cirúrgico, está se ampliando para novas possibilidades de trabalho. E essas carreiras fora do padrão são uma alternativa em meio às pressões que enfrentamos em um mercado que está passando por muitas mudanças, como as jornadas de trabalho exaustivas, aumento dos casos de burnout, automação de processos e incorporação, sem volta, de tecnologias e dados na rotina de atendimento.

Não significa que as novas opções de carreira sejam um caminho mais fácil ou mais curto para o médico, ou deixem de lado a vocação do médico de ajudar o próximo. Elas demandam competências que vão além do que a faculdade ensina e que, na maioria das vezes, precisam de uma visão mais flexível e multidisciplinar. Áreas como gestão e inovação, por exemplo, costumam precisar de habilidades mais estratégicas, a comunicação e a educação envolvem a capacidade de um bom relacionamento humano, enquanto a tecnologia e os dados exigem um foco maior na parte técnica.

Para seguir um desses caminhos, é importante compreender qual deles se alinha melhor à curiosidade, propósito e forma de trabalho que queremos ter como médico. O que acreditamos e o quanto estamos dispostos a nos dedicar, continua sendo importante na profissão, independente da escolha de carreira.

A seguir, compartilho com você alguns caminhos alternativos que estão em alta na medicina e o que é preciso saber para atuar em cada um deles. Eles não são os únicos, e uma das riquezas da nossa profissão é que somos treinados para desenvolvermos habilidades que nos permitem contribuir para as mais diversas profissões, sem deixarmos de ser médicos.

 

Gestão e inovação em hospitais, indústria e healthtechs

Quem pensa em seguir a área de gestão em saúde, provavelmente já ouviu de algum professor durante a faculdade de medicina a seguinte frase: “Ah, então porque não está cursando administração”. Antes restrita a administradores e executivos, a gestão vem abrindo espaço para o olhar de quem entende tanto o cuidado na prática quanto os bastidores dos processos de saúde.

Clínicas, hospitais, operadoras e indústrias têm valorizado a participação do médico nestas funções. E o médico jovem está saindo da faculdade com a visão de quem pode deixar de ser apenas uma peça operacional e participar ativa e estrategicamente das decisões que envolvem a saúde em todos os níveis.

As healthtechs também vêm sendo um espaço de inovação para que nós, médicos, possamos empreender em startups, dar consultoria sobre a área ou colaborar no desenvolvimento de soluções que resolvam dores reais do dia a dia na medicina. Um exemplo são os novos recursos para prontuários eletrônicos, ferramentas de telemedicina, inteligência artificial para automação de processos, gestão de clínicas e consultórios. Tudo isso é construído por equipes multiprofissionais, mas a visão médica contribui com os detalhes.

Na gestão e inovação em saúde, é preciso ter habilidades de trabalho que vão além da assistência. O ambiente é muito dinâmico e o médico tem participação no entendimento sobre os processos clínicos e sobre o funcionamento do sistema de saúde.

Mesmo não sendo temas abordados na formação médica, as noções de negócios, como modelos de operação B2B e B2C, marketing em saúde e estratégias de captação de investimento, são conhecimentos necessários, assim como regulação, compliance e economia da saúde.

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Tecnologia e ciência de dados em saúde

Prontuários eletrônicos, sensores vestíveis, plataformas de telemedicina, ferramentas de inteligência artificial… são recursos da área saúde que estão presentes no nosso dia a dia médico com participações tão frequentes que, muitas vezes, superam até o tempo de uso do bom e velho estetoscópio. E esses novos recursos transformaram também a maneira como contribuímos para o desenvolvimento e implementação dessas soluções digitais na saúde.

Como médicos, não somos só usuários de tecnologias ou participamos apenas na geração de dados dentro da área da saúde. A atuação ativa vem desde a análise e interpretação de dados até a capacidade de traduzir as necessidades clínicas do paciente ou de colegas profissionais que estão na linha de frente em soluções tecnológicas aplicáveis à realidade da medicina.

Nessa área de tecnologia e ciência de dados em saúde, o médico precisa unir o raciocínio analítico e o conhecimento da prática médica, ter noções sobre estatística, probabilidade, programação e bancos de dados.

O conhecimento sobre inteligência artificial e aprendizado de máquina aplicados à nossa prática médica amplia as possibilidades de atuação em projetos inovadores. Mas também é importante compreender os dados clínicos, os contextos de interoperabilidade e sistemas de informação em saúde e ter uma visão crítica de segurança e governança de dados para o uso responsável das informações.

 

Comunicação científica e educação em saúde

A participação médica na produção e disseminação de conteúdo científico hoje é muito mais do que a publicação de artigos e a apresentação em congressos. A comunicação acontece também com a gravação de vídeos, criação de cursos online, newsletters para atualização científica, compartilhamento de conteúdo de saúde em redes sociais e projetos de educação para pacientes ou pares médicos.

Dentro da comunicação e educação em saúde, podemos atuar como redatores científicos, conteudistas ou editores médicos, consultores educacionais, instrutores ou mentores e criadores de conteúdo de uma forma geral. São trabalhos que envolvem a atualização científica para profissionais e a tradução da ciência para o público leigo, com a literacia em saúde para o paciente ou projetos de saúde pública, por exemplo.

É um campo que une o rigor técnico da pesquisa científica com a sensibilidade comunicativa, para conseguir adaptar a linguagem para diferentes públicos. Também é preciso estar familiarizado com metodologias de ensino, educação digital e plataformas de educação à distância e ter competências para a produção de conteúdo, storytelling e uso das redes sociais.

Saiba mais: Descubra os caminhos da carreira médica.

 

O que considerar se estiver pensando em seguir caminhos alternativos na medicina?

Se você está considerando um caminho fora da escolha tradicional entre clínica ou cirúrgica, o primeiro passo é pensar na construção de uma formação híbrida, que tenha o conhecimento científico de base da medicina, mas que não se limite a ele. Tenha curiosidade para aprender sobre tecnologias, dados, negócios e, principalmente, sobre o comportamento humano. Nesse cenário, as soft skills, como empatia, comunicação e colaboração, são tão importantes quanto o domínio técnico.

Outro conselho é ter uma mentalidade de aprendizado contínuo. A medicina está em constante mudança e novas formas de atuação surgem o tempo todo. Participe de eventos e procure testar novas ferramentas na prática. E não esqueça que mesmo nas carreiras alternativas, a concorrência é alta, e o mercado sempre valoriza profissionais com visão multidisciplinar e capacidade de adaptação.

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora médica assistente de Carreira da Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). MBA em Gestão Estratégica pela UFPR.

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