A Organização Mundial da Saúde divulgou um novo relatório sobre o progresso das Estratégias Globais do Setor da Saúde (GHSS) para HIV, hepatites virais e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), destacando avanços importantes, mas também desafios que podem comprometer a meta de eliminação dessas doenças como problemas de saúde pública até 2030.
Apresentado durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro, o documento mostra que, até o fim de 2025, cerca de 32 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam em tratamento. Desde 2010, as novas infecções pelo vírus caíram 42% e as mortes relacionadas à aids diminuíram 57%. Apesar disso, aproximadamente 9 milhões de pessoas seguem sem acesso à terapia antirretroviral.
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Avanços convivem com desafios persistentes
O relatório também aponta progresso no enfrentamento das hepatites virais. Desde 2015, as novas infecções por hepatite B diminuíram 32%, enquanto as mortes relacionadas à hepatite C caíram 12%. Ainda assim, as hepatites permanecem entre as doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo, respondendo por cerca de 1,3 milhão de óbitos em 2024.
Em relação às ISTs, a OMS destaca a ampliação da triagem da sífilis durante a gestação e o aumento da cobertura vacinal contra o HPV. Por outro lado, o crescimento da incidência dessas infecções em diversos países e o avanço da resistência da Neisseria gonorrhoeae aos antimicrobianos continuam sendo motivos de preocupação.
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Integração dos serviços é prioridade
Segundo a OMS, a integração da assistência é uma das principais estratégias para acelerar os resultados. Países com melhor desempenho têm concentrado os serviços de HIV, hepatites e ISTs na atenção primária, articulados com programas de tuberculose, saúde sexual e reprodutiva, saúde materno-infantil e doenças crônicas.
O relatório também reforça a importância da eliminação da transmissão vertical do HIV, da sífilis e da hepatite B, objetivo que vem sendo alcançado por um número crescente de países que buscam validação da OMS.
Inovação e participação comunitária
Entre as prioridades para os próximos anos, a organização destaca a expansão de tecnologias diagnósticas, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a incorporação de novas estratégias de prevenção, como o lenacapavir injetável de longa duração e a profilaxia pós-exposição com doxiciclina (doxiciclina PEP).
A OMS também anunciou suas primeiras diretrizes consolidadas para a prestação de serviços em HIV e novas recomendações para vigilância da infecção. Segundo a entidade, o fortalecimento da liderança comunitária e a utilização de dados produzidos pelas próprias comunidades serão fundamentais para ampliar o acesso aos serviços e reduzir as desigualdades que ainda limitam o controle do HIV, das hepatites virais e das ISTs.
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