Um artigo recente descreve a experiência de um programa francês no uso do lenacapavir associado a um regime de base otimizado em PVHIV altamente experimentados. O objetivo do estudo foi avaliar a efetividade virológica, recuperação imunológica, segurança, farmacocinética e emergência de resistência em condições de vida real.
O estudo foi composto por uma coorte observacional com 42 adultos (33 HIV-1 e 9 HIV-2) tratados entre 2021 e 2023. O desfecho primário foi carga viral < 50 cópias/mL na semana 26. Foram avaliados também CD4, resistência, concentrações plasmáticas de lenacapavir e eventos adversos.

Resultados principais
HIV-1
- 67% apresentaram ou mantiveram supressão viral na semana 26;
- Entre pacientes previamente suprimidos, 86% permaneceram controlados;
- Entre os que tinham carga viral detectável no início, 53% alcançaram supressão na semana 26 e 74% ao redor de 12 meses;
- Aumento médio de CD4 de +86 células/µL na semana 26;
- Resistência emergente ao lenacapavir ocorreu em apenas um paciente (Q67H).
HIV-2
- Apenas 22% atingiram ou mantiveram supressão viral;
- Nenhum paciente inicialmente com carga viral detectável suprimiu até a semana 26;
- Resistência N73D emergiu em três pacientes com falha virológica.
Com relação à segurança, o tratamento foi bem tolerado. Reações no local da aplicação ocorreram em 31% (principalmente nódulos e dor), levando à interrupção em dois pacientes. Não houve eventos adversos grau 3/4 atribuídos ao lenacapavir.
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O que o artigo esclarece?
- Lenacapavir mostrou excelente desempenho em HIV-1 multirresistente quando combinado a um regime de base otimizado e ativo;
- O benefício foi maior em pacientes previamente controlados que realizaram troca terapêutica;
- A atividade em HIV-2 foi limitada;
- A adesão ao esquema oral concomitante permanece fundamental para evitar monoterapia funcional e seleção de resistência.
Mensagem prática
Dessa forma, os resultados sustentam o uso do lenacapavir como importante opção para pacientes com HIV-1 multirresistente e poucas alternativas terapêuticas. Entretanto, o estudo reforça que sua eficácia depende da existência de pelo menos um esquema de base ativo e da manutenção da adesão aos componentes orais. Para HIV-2, os dados sugerem cautela devido à baixa eficácia e maior emergência de resistência.
Autoria

Raissa Moraes
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência e mestrado em Infectologia pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Atua na área de doenças infecciosas e controle de infecções.
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