Portaria publicada nesta quarta-feira (11/03) determinou a ampliação do uso da doxiciclina 100 mg no âmbito do SUS, como profilaxia pós-exposição na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas, clamídia e sífilis de acordo com o estabelecido no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. A partir da data de publicação as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS.
A portaria publicada pelo Ministério da Saúde, segue a recomendação final da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) tomada em reunião realizada em fevereiro deste ano depois de processo de análise, consulta pública e contribuições da sociedade.
Já em sua recomendação inicial, a Conitec considerava bons os resultados do medicamento na prevenção de infecções bacterianas, principalmente clamídia e sífilis, e com custo adequado para os benefícios que oferece, especialmente para pessoas em maior situação de vulnerabilidade.
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Aprovação da Doxiciclina como profilaxia pós-exposição
De acordo com relatório da Conitec, a análise das evidências científicas avaliou estudos cujos “resultados apontaram que a tecnologia reduz significativamente o risco de infecção pelas bactérias que causam clamídia (79%) e sífilis (77%), quando comparada aos cuidados tradicionais.” Com eventos adversos associados ao medicamento de leves a moderados, na maioria problemas gastrointestinais, como enjoo e dor de barriga.
A comissão considerou a qualidade das evidências científicas sobre a eficácia e segurança como alta. O relatório técnico completo de recomendação pode ser acessado através deste link.
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Sífilis e Clamídia
Em 2020, a OMS estimou que no mundo há 129 milhões de casos de clamídia e 7,1 milhões de sífilis, com estudos internacionais mostrando que cerca de 7,5% dos homens que fazem sexo com homens têm sífilis.
O Relatório para Sociedade produzido pela Conitec durante o processo de avaliação da nova recomendação da doxiciclina apontou que, no Brasil, pesquisas realizadas entre 2019 e 2021 encontraram taxas entre 11% e 13% de clamídia e gonorreia entre mulheres trans que vivem em áreas urbanas e que no país, o aumento da transmissão de sífilis é especialmente observado entre homens que fazem sexo com homens, enquanto a clamídia é muito comum entre pessoas transgênero, e a taxa de infecção pode variar dependendo da parte do corpo onde é feita a coleta sendo comum que essas populações tenham duas infecções ao mesmo tempo
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Protocolo de Tratamento
O documento do Ministério da Saúde recomenda o tratamento da sífilis recém-diagnosticada com uma injeção única de antibiótico (benzilpenicilina benzatina) aplicada no músculo. Nos casos em que a doença já está mais avançada, é recomendada a aplicação de três injeções, uma a cada semana. Quando a sífilis atinge o sistema nervoso (neurossífilis), é recomendada a aplicação de antibiótico (benzilpenicilina potássica) diretamente na veia durante 10 a 14 dias.
Para pessoas que têm alergia à penicilina, podem ser usados outros medicamentos, como doxiciclina ou ceftriaxona. No caso de gestantes alérgicas, é indicado fazer um processo chamado dessensibilização, que permite o uso seguro da penicilina.
Já para tratar a clamídia, o medicamento mais indicado é a doxiciclina em comprimido duas vezes ao dia, durante sete dias. Existem outras opções de tratamento, como a azitromicina em dose única, usada principalmente em gestantes.
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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