A prevenção das formas graves de infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) ganhou novas frentes no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo de 2026. A vacinação de gestantes, disponível desde dezembro de 2025, alcançou mais de 1,2 milhão de doses aplicadas e foi associada a uma redução de 52,5% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em bebês menores de 6 meses no primeiro semestre deste ano.
Além da vacina contra o VSR para gestantes, o SUS passou a oferecer em fevereiro o nirsevimabe para prematuros e crianças com determinadas comorbidades. Embora as duas estratégias tenham como objetivo proteger contra o VSR, é importante diferenciá-las: o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal e não uma vacina.

Vacinação de gestantes reduz casos graves de bronquiolite
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que os casos de SRAG associados ao VSR entre bebês menores de 6 meses passaram de 14.061 no primeiro semestre de 2025 para 6.674 no mesmo período de 2026. A redução de 52,5% foi superior à registrada nas demais faixas etárias infantis, nas quais a queda variou entre 8% e 13%.
O Dr. Felipe Motta, pediatra e editor da Afya, explica que a redução de 52,5% nos casos graves é um avanço expressivo e reforça a importância de proteger os bebês desde a gestação. “Nos menores de 6 meses, as vias aéreas mais estreitas e a menor reserva respiratória favorecem uma evolução rápida para dificuldade respiratória e comprometimento da alimentação. A vacinação materna oferece proteção justamente nesse período de maior vulnerabilidade”, destaca.
Um estudo em andamento citado pela pasta estima que aproximadamente 6,8 mil casos graves tenham sido evitados entre menores de 6 meses. Durante o período de maior circulação do vírus em 2026, essa faixa etária respondeu por cerca de 35% das hospitalizações de crianças de até 4 anos, percentual inferior ao observado antes da introdução da vacinação.
No SUS, a vacina contra o VSR é indicada a partir da 28ª semana de gestação. A imunização estimula a produção de anticorpos maternos, que são transferidos ao bebê durante a gravidez e oferecem proteção nos primeiros meses de vida.
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Nirsevimabe amplia prevenção do VSR em bebês prematuros
Outra mudança ocorreu em fevereiro, quando o SUS começou a oferecer o nirsevimabe para recém-nascidos prematuros e crianças com condições associadas a maior risco. O medicamento é um anticorpo monoclonal que fornece proteção imediata contra o VSR, sem depender da produção de anticorpos pelo organismo do bebê.
“A vacina estimula a gestante a produzir anticorpos, que atravessam a placenta e protegem o bebê nos primeiros meses. O nirsevimabe fornece diretamente à criança um anticorpo pronto, sem depender da resposta imunológica dela”, enfatiza o pediatra. Além disso, segundo o especialista, explicar essa diferença ajuda as famílias a compreender que são formas distintas de prevenção das doenças graves pelo VSR, indicadas conforme os critérios de cada estratégia.
São considerados prematuros os bebês nascidos antes de 37 semanas de gestação. A oferta também contempla crianças de até 2 anos com condições como doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave e síndrome de Down.
O nirsevimabe é administrado em dose única e oferece proteção por até seis meses. O imunobiológico foi disponibilizado prioritariamente em maternidades e na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (CRIE), com mais de 100 mil doses registradas até então.
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Vírus sincicial respiratório concentra hospitalizações infantis
A ampliação das estratégias preventivas ocorre diante do impacto do VSR principalmente nos primeiros anos de vida. Dados referentes a 2025 mostram que o Brasil registrou 43,2 mil casos de SRAG provocados pelo vírus até 22 de novembro. Mais de 35,5 mil ocorreram em menores de 2 anos, o equivalente a 82,5% dos registros no período.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, o VSR responde por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de 2 anos.
De acordo com o Dr. Felipe, na prática pediátrica, o VSR pode transformar um quadro inicialmente semelhante a um resfriado em dificuldade respiratória importante. “Esforço para respirar, queda da oxigenação, pausas respiratórias e dificuldade para mamar, com risco de desidratação, são sinais que podem exigir hospitalização. Os mais vulneráveis podem precisar de oxigênio, suporte para alimentação e, nos casos mais graves, cuidados intensivos”, afirma o especialista.
Assim, as estratégias disponíveis no SUS atuam em públicos distintos. A vacinação durante a gestação busca transferir anticorpos maternos ao bebê, enquanto o nirsevimabe fornece anticorpos prontos às crianças que atendem aos critérios definidos para sua utilização.
Após a implementação da vacina no SUS, o Ministério da Saúde apontou redução das internações por SRAG associada ao VSR entre menores de 2 anos. Até 18 de abril, foram registradas 3,2 mil internações, ante 6,8 mil no período utilizado para comparação em 2023, redução de 52%. Os óbitos passaram de 72 para 27, queda de 63%.
Projeto propõe tornar proteção contra VSR permanente em lei
Uma nova discussão sobre a prevenção do VSR chegou ao Congresso em setembro. O Projeto de Lei 3209/26 propõe criar uma Política Nacional de Prevenção da Infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório e determinar a oferta pelo SUS de vacina contra o VSR para crianças no primeiro ano de vida, com reforço no segundo ano para grupos de risco.
A proposta ainda não é lei. Segundo a Câmara dos Deputados, o projeto será analisado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Saúde; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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