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Pediatria23 outubro 2026

Estudo associa dieta na gestação a cólica com eczema em bebês

Bebês de mães com dieta na gestação mais inflamatória e pobre em peixe tiveram mais chance de apresentar os dois quadros ao mesmo tempo

Pesquisadores de Harvard e do Boston Children’s Hospital associaram a dieta da mãe na gestação a quadros de cólica com eczema no lactente. Publicado em 12 de outubro de 2026 no JAMA Network Open, o estudo analisou dieta mediterrânea, perfil inflamatório e alimentos alergênicos. Já a causa da cólica, distúrbio da interação intestino-cérebro, ainda segue pouco compreendida.

A análise incluiu 1.324 pares mãe e bebê da coorte Project Viva, em Massachusetts, com dados coletados entre 1999 e 2003 e analisados entre 2025 e 2026. As participantes responderam questionários alimentares na gestação e relataram cólica e eczema por volta dos 6 meses.

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Bebê no colo com cólica

Cada ponto na dieta mediterrânea se associa a chance 15% menor de cólica com eczema

No escore de dieta mediterrânea, cada ponto correspondeu a OR de 0,85 (IC 95%, 0,74 a 0,98) para cólica com eczema. Já cada ponto no índice inflamatório da dieta (DII) se associou a OR de 1,34 (IC 95%, 1,12 a 1,61). Enquanto isso, dieta mais inflamatória da mãe na gestação acompanhou maior chance do quadro.

A combinação das duas condições atingiu 4,6% dos bebês, com 6,9% no pior quartil de adesão mediterrânea e 4,3% no melhor. Por outro lado, nenhum escore se associou à cólica ou ao eczema isolados.

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Como os alimentos alergênicos se relacionam ao risco de cólica e eczema?

Entre os alimentos alergênicos, cada porção semanal de frutos do mar correspondeu a chance 25% menor do desfecho combinado (OR 0,75; IC 95%, 0,58 a 0,97). Apesar disso, amendoim e oleaginosas tiveram associação marginal com cólica sem eczema (OR 1,05), contrariando a hipótese. Já laticínios e ovos não se associaram a nenhum desfecho.

Felipe Motta, pediatra da Afya, acrescenta ainda que “a presença de cólica e eczema, por si só, não confirma alergia à proteína do leite de vaca. A suspeita ganha força quando existem outros sinais, como reações relacionadas à ingestão do leite, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou dificuldade de ganho de peso. Quando indicada, a investigação pode incluir exclusão por tempo limitado e reintrodução ou teste de provocação, com orientação médica. Apesar disso, a melhora após retirar o leite, isoladamente, não fecha o diagnóstico”.

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Atopia materna modifica associações entre escores de dieta e cólica

Segundo os autores, as associações entre escores e cólica foram mais fortes nos filhos de mães atópicas. Nesse grupo, o OR do índice inflamatório foi 1,17 (IC 95%, 1,00 a 1,37), no limite da significância. 

Para Felipe, “perguntar sobre asma, rinite alérgica e dermatite atópica na mãe e em outros familiares ajuda a contextualizar a predisposição alérgica do bebê. Esse histórico deve ser interpretado junto com os sintomas, o exame físico e o crescimento da criança, mas não permite atribuir automaticamente o choro à alergia, nem justifica, sozinho, exames ou restrições alimentares.”

Na análise, cólica e eczema foram relatados pelas mães, sem conferência em prontuário. Todas tinham pré-natal e plano de saúde, o que restringe a generalização. Vale destacar que por ser observacional, o estudo pode ter deixado de fora fatores relevantes.

As revisões citadas no estudo não sustentam excluir alimentos alergênicos, ou qualquer outro, da dieta na gestação para prevenir alergia infantil. Porém, a equipe levanta a hipótese de que o quadro reflita um endótipo imune da cólica e defende estudos de replicação. 

Motta esclarece por fim que, “os critérios de Roma V passaram a usar o termo infant distress syndrome, que pode ser traduzido como síndrome de sofrimento/angústia do lactente. A mudança ajuda a evitar a ideia de que todo choro inconsolável corresponde necessariamente à dor abdominal. Quando há eczema associado, vale acompanhar a evolução da pele, os sintomas alimentares e o crescimento nas consultas de puericultura. Porém, isso não significa que o bebê desenvolverá outras alergias nem estabelece, por si só, a necessidade de exames ou seguimento especializado prolongado.”

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas

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