Pesquisadores de Harvard e do Boston Children’s Hospital associaram a dieta da mãe na gestação a quadros de cólica com eczema no lactente. Publicado em 12 de outubro de 2026 no JAMA Network Open, o estudo analisou dieta mediterrânea, perfil inflamatório e alimentos alergênicos. Já a causa da cólica, distúrbio da interação intestino-cérebro, ainda segue pouco compreendida.
A análise incluiu 1.324 pares mãe e bebê da coorte Project Viva, em Massachusetts, com dados coletados entre 1999 e 2003 e analisados entre 2025 e 2026. As participantes responderam questionários alimentares na gestação e relataram cólica e eczema por volta dos 6 meses.
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Cada ponto na dieta mediterrânea se associa a chance 15% menor de cólica com eczema
No escore de dieta mediterrânea, cada ponto correspondeu a OR de 0,85 (IC 95%, 0,74 a 0,98) para cólica com eczema. Já cada ponto no índice inflamatório da dieta (DII) se associou a OR de 1,34 (IC 95%, 1,12 a 1,61). Enquanto isso, dieta mais inflamatória da mãe na gestação acompanhou maior chance do quadro.
A combinação das duas condições atingiu 4,6% dos bebês, com 6,9% no pior quartil de adesão mediterrânea e 4,3% no melhor. Por outro lado, nenhum escore se associou à cólica ou ao eczema isolados.
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Como os alimentos alergênicos se relacionam ao risco de cólica e eczema?
Entre os alimentos alergênicos, cada porção semanal de frutos do mar correspondeu a chance 25% menor do desfecho combinado (OR 0,75; IC 95%, 0,58 a 0,97). Apesar disso, amendoim e oleaginosas tiveram associação marginal com cólica sem eczema (OR 1,05), contrariando a hipótese. Já laticínios e ovos não se associaram a nenhum desfecho.
Felipe Motta, pediatra da Afya, acrescenta ainda que “a presença de cólica e eczema, por si só, não confirma alergia à proteína do leite de vaca. A suspeita ganha força quando existem outros sinais, como reações relacionadas à ingestão do leite, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou dificuldade de ganho de peso. Quando indicada, a investigação pode incluir exclusão por tempo limitado e reintrodução ou teste de provocação, com orientação médica. Apesar disso, a melhora após retirar o leite, isoladamente, não fecha o diagnóstico”.
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Atopia materna modifica associações entre escores de dieta e cólica
Segundo os autores, as associações entre escores e cólica foram mais fortes nos filhos de mães atópicas. Nesse grupo, o OR do índice inflamatório foi 1,17 (IC 95%, 1,00 a 1,37), no limite da significância.
Para Felipe, “perguntar sobre asma, rinite alérgica e dermatite atópica na mãe e em outros familiares ajuda a contextualizar a predisposição alérgica do bebê. Esse histórico deve ser interpretado junto com os sintomas, o exame físico e o crescimento da criança, mas não permite atribuir automaticamente o choro à alergia, nem justifica, sozinho, exames ou restrições alimentares.”
Na análise, cólica e eczema foram relatados pelas mães, sem conferência em prontuário. Todas tinham pré-natal e plano de saúde, o que restringe a generalização. Vale destacar que por ser observacional, o estudo pode ter deixado de fora fatores relevantes.
As revisões citadas no estudo não sustentam excluir alimentos alergênicos, ou qualquer outro, da dieta na gestação para prevenir alergia infantil. Porém, a equipe levanta a hipótese de que o quadro reflita um endótipo imune da cólica e defende estudos de replicação.
Motta esclarece por fim que, “os critérios de Roma V passaram a usar o termo infant distress syndrome, que pode ser traduzido como síndrome de sofrimento/angústia do lactente. A mudança ajuda a evitar a ideia de que todo choro inconsolável corresponde necessariamente à dor abdominal. Quando há eczema associado, vale acompanhar a evolução da pele, os sintomas alimentares e o crescimento nas consultas de puericultura. Porém, isso não significa que o bebê desenvolverá outras alergias nem estabelece, por si só, a necessidade de exames ou seguimento especializado prolongado.”
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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