Pesquisadores australianos identificaram uma associação entre alimentação e saúde mental na adolescência em estudo. A análise, publicada na revista Child and Adolescent Mental Health, acompanhou 6.537 estudantes durante três anos e relacionou o consumo de frutas, vegetais e bebidas açucaradas a sintomas de depressão e ansiedade.
Os participantes tinham, em média, 12,65 anos no início do acompanhamento, realizado entre 2019 e 2022 em três estados da Austrália. Os pesquisadores excluíram das análises específicas os adolescentes que já apresentavam sintomas acima dos limites definidos pelas escalas na avaliação inicial.
Durante o acompanhamento, a média de consumo de frutas diminuiu de 2,43 para 2,05 porções diárias. Em contrapartida, o consumo médio de vegetais e bebidas açucaradas apresentou variações menores ao longo dos três anos.

Maior consumo de frutas se associa a menos sintomas depressivos
Cada porção adicional diária de frutas, equivalente a 150 gramas, esteve associada a risco 13% menor de atingir o ponto de corte para sintomas depressivos e 7% menor para ansiedade. As estimativas consideraram ajustes para idade, sexo, condições socioeconômicas e atividade física.
Já o consumo de vegetais não apresentou associação estatisticamente significativa com esses desfechos após os ajustes realizados.
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Bebidas açucaradas apresentaram associação com ansiedade
O maior consumo de bebidas açucaradas esteve associado a risco mais elevado de sintomas depressivos e ansiosos em ambos os sexos.
Na análise ajustada, o maior consumo de bebidas açucaradas esteve associado a risco mais elevado de atingir os pontos de corte para sintomas depressivos (RR 3,22) e ansiedade (RR 3,36). As estimativas consideram aumentos proporcionais no consumo, e não o efeito de cada copo adicional. A associação foi mais intensa entre meninos, especialmente para a ansiedade.
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Como interpretar os resultados na prática clínica?
Os desfechos foram definidos por questionários de rastreamento, não por diagnóstico psiquiátrico confirmado. O consumo alimentar também foi informado pelos próprios adolescentes, e outros fatores não medidos podem ter influenciado os resultados. Portanto, o estudo observacional não demonstra que um alimento cause ou previna transtornos mentais.
Os autores apontam o consumo de frutas e a redução de bebidas açucaradas como possíveis alvos de ações preventivas. Para o atendimento de adolescentes, os achados sustentam considerar hábitos alimentares na avaliação ampla da saúde mental, sem atribuir a eles efeito terapêutico comprovado.
Outra limitação apontada pelos pesquisadores foi a maior representação de adolescentes de condições socioeconômicas favorecidas. Essa característica deve ser considerada ao interpretar os resultados e sua aplicabilidade a populações com diferentes perfis sociais.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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