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Pediatria20 março 2026

Atualização 2026: drenos pequenos lideram no manejo do empiema infantil

Diretriz 2026 aponta que drenos pequenos são eficazes e menos invasivos no empiema infantil, sem aumento de complicações.
Por Jôbert Neves

No manejo do derrame parapneumônico ou pleural e do empiema em crianças, a drenagem adequada continua sendo um dos pilares terapêuticos. A dúvida recorrente na prática é se calibres maiores proporcionam melhor escoamento ou menor chance de reintervenção.

A atualização de 2026 da Infectious Diseases Society of America e da Pediatric Infectious Diseases Society traz uma conclusão clara: tubos de pequeno calibre funcionam tão bem quanto os maiores e são preferíveis na maior parte dos casos.

Por que drenos pequenos ganham espaço no tratamento

A recomendação foi desenvolvida por meio de revisão sistemática com metodologia GRADE, incluindo estudos com crianças de 3 meses a 18 anos que necessitaram drenagem pleural. Foram comparados drenos menores que 12 Fr com drenos de 14 Fr ou mais, avaliando efetividade, complicações e tempo de internação. O risco de viés foi analisado com a ferramenta ROBINS-I.

Evidência atual mostra eficácia semelhante e menor invasividade

A evidência disponível é limitada, mas consistente: um estudo comparativo mostrou tempos de internação semelhantes entre drenos pequenos e grandes, sem diferença estatística (≈12,5 vs 17,3 dias; p=0,13).

Além disso, não houve aumento de complicações com os calibres menores.

Veja também: Derrame pleural infantil: diretriz destaca USG e menos radiação

Menos dor, mesma efetividade e boa resposta com fibrinólise

Protocolos atuais passaram a adotar 12 Fr ou menos de forma rotineira, inclusive quando há uso de fibrinólise intrapleural, sem prejuízo da eficácia.

Com base no balanço entre benefício e dano, menor invasividade e potencial redução de dor, a diretriz emite recomendação condicional a favor de drenos de pequeno calibre.

Quando considerar drenos de maior calibre

Apesar da evidência de baixa certeza, não há vantagem comprovada em utilizar drenos maiores. Ainda assim, seu uso pode ser considerado em situações específicas, como:

  • Coleções extremamente espessas
  • Falha persistente de drenagem
  • Impossibilidade técnica com drenos menores

O que muda na prática clínica

A diretriz traz implicações diretas para a conduta:

  • Prefira drenos menores que 12 Fr como padrão
    Eles drenam adequadamente, permitem fibrinólise e causam menos dor
  • Utilize o ultrassom como guia na decisão
    Espessura do líquido, septações e características do derrame orientam o calibre
  • Reserve drenos maiores para exceções
    Apenas em cenários com limitação técnica ou falha terapêutica
  • Padronize fluxos e materiais
    Disponibilize pigtails de 8 a 12 Fr e invista em treinamento para inserção guiada por ultrassom
  • Reavalie precocemente
    Considere fibrinólise ou escalonamento para cirurgia toracoscópica assistida por vídeo (VATS), quando disponível

No Brasil, ainda é comum a preferência por drenos maiores, muitas vezes por hábito ou insegurança. A diretriz internacional aponta na direção oposta: um dreno menor é suficiente quando associado a boa técnica, ultrassom de qualidade e acompanhamento próximo.

A adoção mais ampla de drenos finos pode reduzir dor, necessidade de sedação, complicações e tempo de internação — sem comprometer os resultados.

Autoria

Foto de Jôbert Neves

Jôbert Neves

Médico do Departamento de Pediatria e Puericultura da Irmandade da Santa Casa  de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP), Pediatria e Gastroenterologia Pediátrica pela ISCMSP, Título de Especialista em Gastroenterologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).  Médico formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Coordenador Young LASPGHAN do grupo de trabalho de probióticos e microbiota da Sociedade Latino-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (LASPGHAN).

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