As Sociedades de Doenças Infecciosas Americana (IDSA) e a Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas (PIDS) atualizaram as recomendações de manejo das pneumonias adquiridas na comunidade em crianças e adolescentes por meio de um guia, com foco principal nas condutas frente aos casos de derrame parapneumônico.
O estudo foi publicado na revista Clinical Infectious Diseases, intitulado Clinical Practice Guideline by the Infectious Diseases Society of America and the Pediatric Infectious Diseases Society: 2026 Guideline Update on The Management of Community-Acquired Pneumonia in Infants and Children Older than 3 Months of Age.
Trata-se de uma atualização da diretriz de 2011, incorporando novas evidências para o diagnóstico e tratamento das pneumonias complicadas na população pediátrica.
Pneumonia pediátrica ainda tem alta relevância clínica
A pneumonia permanece como um importante agravo na pediatria, com cerca de 740 mil óbitos anuais em crianças menores de 5 anos no mundo.
Entre as complicações, o empiema pleural se destaca por sua elevada morbidade e mortalidade, exigindo condutas bem definidas. A incidência de formas complicadas por pneumococo é de:
-
7,9% em menores de 2 anos
-
16,9% entre 2 e 4 anos
Metodologia: diretriz baseada em evidências
A diretriz de 2026 seguiu padrões rigorosos de revisão científica e consenso entre especialistas de diferentes áreas assistenciais, incluindo emergencistas, infectologistas e cirurgiões. O sistema GRADE foi empregado para avaliar a qualidade das evidências e a força das recomendações, com posterior validação por grupo de especialistas e endosso pela sociedade de doenças infecciosas pediátricas.
Na metodologia, o estudo destaca a exclusão de populações de baixa renda ou de locais com recursos limitados, uma vez que as condutas podem envolver técnicas diagnósticas e terapêuticas não disponíveis nesses contextos.
Resultados
O guia fornece respostas diretas para dúvidas frequentes na condução de crianças com pneumonia e suspeita de complicação.
Classificação do derrame (radiografia de tórax):
- Pequeno: < 1 cm
- Moderado: > 1 cm
- Grande: ocupa mais de 50% do hemitórax
Confirmação diagnóstica
Há preferência pela realização de ultrassom de tórax nos casos moderados e grandes, para avaliação das características do derrame.
Diagnóstico: ultrassom é o método de escolha
Para derrames moderados e grandes, o ultrassom de tórax é o exame preferencial, por permitir melhor avaliação de:
- Loculações/septações
- Características do líquido pleural
Na indisponibilidade do método, tomografia ou ressonância podem ser utilizadas. Crianças com derrame pequeno (< 1 cm) e sem repercussão clínica, não necessitam de ultrassonografia.
Manejo: drenagem precoce e abordagem menos invasiva
A diretriz recomenda:
- Drenagem precoce quando indicada
- Uso de drenos de pequeno calibre (< 12 Fr)
- Associação com fibrinólise (alteplase)
A fibrinólise é preferida em relação à videotoracoscopia por:
- Menor custo
- Menor invasividade
- Desfechos clínicos semelhantes
A fibrinólise é preferida em relação à videotoracoscopia por:
- Menor custo
- Menor invasividade
- Desfechos clínicos semelhantes
Quando indicar cirurgia
A videotoracoscopia fica reservada para casos específicos:
- septações extensas
- falha da drenagem associada à fibrinólise
Conclusão: foco em custo-efetividade e menor invasividade
A atualização de 2026 prioriza a drenagem com fibrinólise, reservando a abordagem cirúrgica para casos complicados ou refratários ao tratamento inicial. Essa estratégia, associada ao uso de drenos de menor calibre e ao ultrassom como método diagnóstico, reduz custos e é menos invasiva para o paciente.
Autoria

Jandrei Rogério Markus
Médico Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria - pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico_ infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas - Porto Nacional-TO. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
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