Publicado na revista Clinical Infectious Diseases, o estudo intitulado Clinical Practice Guideline Update by the Infectious Diseases Society of America and the Pediatric Infectious Diseases Society on The Management of Community-Acquired Pneumonia in Infants and Children Older than 3 Months of Age: The Use of Pleural Fluid Drainage versus Observation, apresenta uma atualização das recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade em lactentes e crianças acima de 3 meses.
O documento tem como objetivo orientar a tomada de decisão clínica quanto a drenagem ou observação da evolução do derrame pleural, buscando otimizar desfechos clínicos e reduzir intervenções desnecessárias.

Drenagem pleural na pneumonia pediátrica: quando intervir e quando observar
A decisão de realizar uma drenagem de um derrame pleural deve ser bem fundamentada para evitar iatrogenias, sendo as indicações de quando observar de grande importância prática para manejo desses pacientes sem condutas mais agressivas.
A gravidade da doença pode não estar relacionada ao tamanho do derrame pleural, mas diretamente a lesão do parênquima pulmonar. Desta forma, manejar o derrame pleural é conduzir um quadro sistêmico que pode melhor a função respiratória e mesmo a oxigenação da criança. A decisão de drenagem deve considerar aspectos clínicos, imagens e exames laboratoriais.
Veja também: Caso Clínico: Pneumonia Atípica em Crianças – Diagnóstico e Tratamento
Metodologia do estudo
Este guia, publicado em março de 2026, fez uma busca extensa na literatura sobre o tema utilizando a metodologia GRADE, porém apenas 3 artigos preencheram os critérios de inclusão. O total de paciente avaliados retrospectivamente pelos 3 estudos foi de 15.767, avaliando evolução, mortalidade, tempo de internação e reintervenção. A qualidade da evidência foi considerada com baixa nos estudos.
Resultados
Na avaliação dos artigos, 49% apresentavam derrames pequenos (menores 1 cm na radiografia de tórax) e não complicados. O tempo de internação nos pacientes que foram observados foi menor que os pacientes que foram abordados com drenagem. A mortalidade dos pacientes observados e os que foram drenados foi semelhante (3,1 a 3,3%). E os pacientes que foram inicialmente observados apresentaram maior número de intervenções posteriores (26% nos que foram drenados e 45% no que foram apenas observados)
O guia, a partir destes dados, recomenda a observação clínica de derrames pleurais pequenos (menores que 1cm) sem sinais de doença respiratória importante.
Ao mesmo tempo, indica a drenagem precoce em todos os pacientes com derrames moderados (maior que 1cm) ou grandes (mais da metade do hemitórax).
Conclusão
O guia demonstra a possibilidade de observação de derrames pleurais e a condução com adequada antibioticoterapia e reavaliação. Ao mesmo tempo, um número considerável de pacientes em observação necessitou de intervenção na sequência (45%) sendo um ponto de observação importante sobre o guia.
O tempo de internação menor no grupo que permaneceu em observação não deve ser considerado na prática, já que os pacientes em observação eram justamente os que apresentavam menor derrame e menor gravidade do quadro.
Autoria

Jandrei Rogério Markus
Médico Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria - pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico_ infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas - Porto Nacional-TO. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
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