Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, da Harvard Medical School, do Broad Institute of MIT and Harvard e do Brigham and Women’s Hospital, identificaram maior proporção de células estromais em tumores de câncer colorretal de início precoce. Publicado em outubro de 2026 na Nature Medicine, o estudo investigou diferenças no microambiente tumoral associadas à idade, incluindo características potencialmente relacionadas à resistência terapêutica.
A pesquisa analisou 189 tumores colorretais primários, incluindo 54 casos diagnosticados antes dos 50 anos. Por meio do sequenciamento de RNA de núcleos isolados, os pesquisadores avaliaram a composição celular dos tumores ao longo de oito décadas de vida.
As análises consideraram localização tumoral, estádio da doença, sexo, histórico de tratamento neoadjuvante e status de microssatélites.

Tumores em pacientes com menos de 50 anos apresentam mais estroma tumoral
A análise principal do estudo incluiu 134 tumores colorretais com estabilidade de microssatélites, sendo 45 de pacientes diagnosticados antes dos 50 anos e 89 de indivíduos com 50 anos ou mais. Nesse grupo, os pesquisadores identificaram maior proporção de células estromais nos tumores de pacientes jovens. Em contrapartida, a participação das células epiteliais aumentou com a idade, mesmo após ajustes para características clínicas.
Para verificar esses achados, os pesquisadores recorreram a uma coorte independente de 712 tumores colorretais com estabilidade de microssatélites. Desse total, 18 pertenciam a pacientes com diagnóstico antes dos 50 anos e 694 a indivíduos diagnosticados em idades mais avançadas. A validação utilizou imunofluorescência multiespectral associada a aprendizado de máquina para avaliar a composição celular dos tecidos.
Na comparação com pacientes de 70 anos ou mais, aqueles com menos de 50 apresentaram OR ajustada de 2,70 (IC 95%: 1,12–6,51) para maior relação entre células estromais e epiteliais. A associação persistiu após ajustes para sexo, localização tumoral e estádio da doença, reforçando a relação entre menor idade e maior participação estromal.
Os autores destacam que a maior presença de estroma já foi associada à resistência à quimioterapia em diferentes tumores sólidos. Entretanto, a investigação atual não avaliou diretamente a resposta aos medicamentos nem demonstrou que essa característica provoque resistência terapêutica no câncer colorretal de início precoce.
Relação estroma-epitélio por faixa etária no câncer colorretal
| Faixa etária | N (coorte de validação) | OR ajustada | IC 95% |
| Menos de 50 anos | 18 | 2,70 | 1,12–6,51 |
| 50–54 anos | 36 | 1,83 | 0,89–3,74 |
| 55–69 anos | 344 | 1,51 | 1,09–2,10 |
| 70 anos ou mais | 314 | 1,00 | Referência |
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Aplicação clínica permanece em investigação
Nos tumores esquerdos com estabilidade de microssatélites, a análise identificou mais interações entre células nos casos precoces. Além disso, encontrou maior atividade de vias relacionadas à transição epitélio-mesenquimal, incluindo sinalização por FN1, GDF e ACTIVIN.
Quanto à aplicação clínica, os resultados descrevem diferenças no microambiente tumoral, mas ainda representam hipóteses de pesquisa. Os próprios autores ressaltam o caráter observacional do trabalho e a necessidade de confirmar mecanismos em estudos funcionais.
A análise identificou maior expressão de RNAs longos não codificantes em tumores de pacientes jovens. Os autores apontam a necessidade de validação antes de qualquer aplicação clínica desses achados sobre câncer colorretal precoce.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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