O estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023 projeta aumento das mortes por câncer do colo do útero até 2050. Publicada na Nature Medicine, a análise abrange 204 países e territórios e investiga as desigualdades na incidência e mortalidade da doença. As diferenças no acesso à prevenção ajudam a contextualizar essas desigualdades.
Em 2023, o modelo estimou 887 mil casos novos e 369 mil óbitos mundiais, evidenciando a carga da doença. Além disso, contabilizou 13,3 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade, incluindo perdas por morte prematura.

Mortes por câncer cervical no mundo podem crescer 39,3% até 2050
O estudo projeta 522 mil mortes mundiais por câncer cervical em 2050, aumento de 39,3% em comparação com 2024. A estimativa de mortes varia entre 321 mil e 811 mil, considerando o intervalo de incerteza de 95%. Para o mesmo ano, o estudo projeta 1,08 milhão de novos casos de câncer do colo do útero no mundo, aumento de 20,2% em relação a 2024.
Apesar do aumento absoluto de casos e mortes, as estimativas centrais apontam redução das taxas padronizadas por idade. Até 2050, a mortalidade pode cair 9%, enquanto a incidência apresenta redução projetada de 12,5%, ambas em comparação com 2024.
Entretanto, os intervalos de incerteza dessas variações incluem a possibilidade de estabilidade ou aumento das taxas. Segundo os pesquisadores, o crescimento populacional e as mudanças demográficas contribuem para a elevação do número absoluto de casos. As projeções consideram a continuidade das tendências observadas, sem incorporar diretamente a cobertura futura da vacinação contra o HPV.
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A desigualdade entre países persiste nas projeções
Em 2023, países de baixa renda registraram incidência padronizada de 55,3 casos por 100 mil mulheres, contra 12,6 nos países de alta renda. A diferença também apareceu na mortalidade, com taxas de 25,5 e 3,3 óbitos por 100 mil mulheres, respectivamente. Essas disparidades acompanham diferenças no acesso à vacinação contra HPV, ao rastreamento e ao tratamento.
A África Subsaariana concentrou as maiores taxas regionais de incidência e mortalidade em 2023. Para 2050, os pesquisadores projetam 206 mil mortes na região, crescimento de 95,4% em relação a 2024. A mortalidade padronizada deve permanecer elevada, com estimativa de 20,2 óbitos por 100 mil mulheres.
O estudo também prevê que nenhuma das sete grandes regiões analisadas atingirá o patamar de eliminação da OMS, definido por incidência inferior a quatro casos por 100 mil mulheres. Os autores ressaltam, porém, que as projeções não incorporam diretamente a cobertura futura da vacinação contra HPV.
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Brasil amplia rastreamento do câncer do colo do útero
No Brasil, o INCA estima 19.310 novos casos anuais de câncer do colo do útero entre 2026 e 2028. Em 2024, o país registrou 7.493 mortes pela doença. Os indicadores, referentes a períodos distintos, dimensionam a demanda nacional por prevenção, diagnóstico e assistência.
Em outubro de 2026, o Ministério da Saúde informou que o teste DNA-HPV já estava disponível em 26 unidades da federação. A implementação gradual contabilizava 153 mil amostras coletadas entre 2025 e 2026. Entre as 93 mil processadas em 2026, 9.904 apresentaram positividade para HPV de alto risco.
O exame molecular detecta a presença de tipos de HPV de alto risco oncogênico, mesmo na ausência de lesões precursoras e permite ampliar para cinco anos o intervalo após resultado negativo. A coleta ocorre nas unidades básicas de saúde, com possibilidade de autocoleta em situações previstas no protocolo. O Papanicolau permanece disponível durante a incorporação gradual da nova tecnologia.
Na prevenção primária, a cobertura vacinal contra HPV alcançou 87% das meninas e 74% dos meninos de 9 a 14 anos em 2025. O Ministério da Saúde também destaca a reorganização dos fluxos assistenciais para investigação e acompanhamento das mulheres com resultados alterados.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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