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Oncologia3 novembro 2026

Estudo prevê 522 mil mortes por câncer do colo do útero no mundo até 2050

Estimativas de câncer do colo do útero revelam diferenças globais de incidência, mortalidade e acesso à prevenção.
Por Bruna Lupp

O estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023 projeta aumento das mortes por câncer do colo do útero até 2050. Publicada na Nature Medicine, a análise abrange 204 países e territórios e investiga  as desigualdades na incidência e mortalidade da doença. As diferenças no acesso à prevenção ajudam a contextualizar essas desigualdades.

Em 2023, o modelo estimou 887 mil casos novos e 369 mil óbitos mundiais, evidenciando a carga da doença. Além disso, contabilizou 13,3 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade, incluindo perdas por morte prematura.

Mortes por câncer cervical no mundo podem crescer 39,3% até 2050

O estudo projeta 522 mil mortes mundiais por câncer cervical em 2050, aumento de 39,3% em comparação com 2024. A estimativa de mortes varia entre 321 mil e 811 mil, considerando o intervalo de incerteza de 95%. Para o mesmo ano, o estudo projeta 1,08 milhão de novos casos de câncer do colo do útero no mundo, aumento de 20,2% em relação a 2024.

Apesar do aumento absoluto de casos e mortes, as estimativas centrais apontam redução das taxas padronizadas por idade. Até 2050, a mortalidade pode cair 9%, enquanto a incidência apresenta redução projetada de 12,5%, ambas em comparação com 2024.

Entretanto, os intervalos de incerteza dessas variações incluem a possibilidade de estabilidade ou aumento das taxas. Segundo os pesquisadores, o crescimento populacional e as mudanças demográficas contribuem para a elevação do número absoluto de casos. As projeções consideram a continuidade das tendências observadas, sem incorporar diretamente a cobertura futura da vacinação contra o HPV.

Saiba mais: SUS passará a oferecer nova tecnologia para detecção de câncer do colo do útero

A desigualdade entre países persiste nas projeções

Em 2023, países de baixa renda registraram incidência padronizada de 55,3 casos por 100 mil mulheres, contra 12,6 nos países de alta renda. A diferença também apareceu na mortalidade, com taxas de 25,5 e 3,3 óbitos por 100 mil mulheres, respectivamente. Essas disparidades acompanham diferenças no acesso à vacinação contra HPV, ao rastreamento e ao tratamento.

A África Subsaariana concentrou as maiores taxas regionais de incidência e mortalidade em 2023. Para 2050, os pesquisadores projetam 206 mil mortes na região, crescimento de 95,4% em relação a 2024. A mortalidade padronizada deve permanecer elevada, com estimativa de 20,2 óbitos por 100 mil mulheres.

O estudo também prevê que nenhuma das sete grandes regiões analisadas atingirá o patamar de eliminação da OMS, definido por incidência inferior a quatro casos por 100 mil mulheres. Os autores ressaltam, porém, que as projeções não incorporam diretamente a cobertura futura da vacinação contra HPV.

Saiba mais: Estratégias para aumentar a vacinação contra o HPV em populações vulneráveis

Brasil amplia rastreamento do câncer do colo do útero

No Brasil, o INCA estima 19.310 novos casos anuais de câncer do colo do útero entre 2026 e 2028. Em 2024, o país registrou 7.493 mortes pela doença. Os indicadores, referentes a períodos distintos, dimensionam a demanda nacional por prevenção, diagnóstico e assistência.

Em outubro de 2026, o Ministério da Saúde informou que o teste DNA-HPV já estava disponível em 26 unidades da federação. A implementação gradual contabilizava 153 mil amostras coletadas entre 2025 e 2026. Entre as 93 mil processadas em 2026, 9.904 apresentaram positividade para HPV de alto risco.

O exame molecular detecta a presença de tipos de HPV de alto risco oncogênico, mesmo na ausência de lesões precursoras e permite ampliar para cinco anos o intervalo após resultado negativo. A coleta ocorre nas unidades básicas de saúde, com possibilidade de autocoleta em situações previstas no protocolo. O Papanicolau permanece disponível durante a incorporação gradual da nova tecnologia.

Na prevenção primária, a cobertura vacinal contra HPV alcançou 87% das meninas e 74% dos meninos de 9 a 14 anos em 2025. O Ministério da Saúde também destaca a reorganização dos fluxos assistenciais para investigação e acompanhamento das mulheres com resultados alterados.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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