
Reabilitação orienta a recuperação do AVC ao longo da vida
O acidente vascular cerebral segue como uma das principais causas de incapacidade em adultos, com impacto expressivo em custos de internação, reabilitação e afastamento do trabalho. A American Heart Association e a American Stroke Association publicaram a atualização da diretriz de reabilitação para adultos após AVC, substituindo o documento de 2016 e incorporando evidências acumuladas na última década.
O novo texto adota o modelo de funcionalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS), que descreve o cuidado em três níveis: estrutura e função corporal, limitação de atividades e restrição de participação social. A recuperação do AVC passa a ser tratada como processo não linear e sem ponto de encerramento definido, o que reforça a necessidade de reavaliação contínua ao longo da vida do paciente, e não apenas nas fases iniciais pós-evento.
A diretriz também padroniza as fases de recuperação em cinco estágios, com base em consenso recente: hiperagudo, até 24 horas; agudo, de 1 a 7 dias; subagudo precoce, de 7 dias a 3 meses; subagudo tardio, de 3 a 6 meses; e crônico, após 6 meses do evento. Essa padronização busca uniformizar a linguagem entre os profissionais envolvidos no cuidado e facilitar a comparação entre estudos futuros.
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O que muda na diretriz AHA/ASA de 2026?
A construção da diretriz AHA/ASA baseou-se em revisão sistemática de estudos publicados entre 2016 e 2025, indexados em MEDLINE, PubMed e Cochrane Library. Entre as principais novidades está a conceituação da reabilitação como processo longitudinal ao longo de todo o continuum de cuidado, com ênfase em alta hospitalar assistida e coordenação multidisciplinar precoce. Também ganham destaque o uso ampliado de tecnologias e telessaúde para melhorar acesso e continuidade terapêutica, uma nova seção dedicada a sono e fadiga pós-AVC, e o fortalecimento das estratégias de prevenção de quedas, incluindo programas estruturados, treino de dupla tarefa e prática de tai chi.
A diretriz também recomenda, de forma explícita, contra o uso de exercícios com roldana acima da cabeça, pelo potencial de causar dano ao ombro hemiplégico. Outras mudanças presentes foram a expansão de abordagens não farmacológicas em reabilitação cognitiva, além de expansão de recomendações psicoeducativas para o cuidador.
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Reabilitação multidisciplinar reduz impacto funcional do AVC
Entre as mensagens centrais do documento está a importância da atuação multidisciplinar para reduzir a incapacidade neurológica e favorecer o retorno funcional. A diretriz recomenda a combinação de intervenções restaurativas, voltadas à recuperação da função original, com estratégias compensatórias, que ensinam formas alternativas de realizar tarefas cotidianas. A reabilitação após AVC deve começar ainda na fase aguda do cuidado.
Após 24 horas do evento, orienta-se prática de exercícios e treino de tarefas com intensidade moderada a alta, sempre que a condição clínica permitir. Reavaliações periódicas ao longo do processo de reabilitação ajudam a identificar novas metas terapêuticas e evitar perda funcional.
O uso de medidas de desfecho padronizadas e validadas nos domínios de estrutura corporal, atividade e participação também é recomendado, com avaliação periódica após a alta da reabilitação para identificar declínio funcional ou novas demandas terapêuticas. A diretriz chama ainda atenção para complicações secundárias da imobilidade, como quebra de pele e tromboembolismo venoso, que podem comprometer a recuperação quando não prevenidas ativamente durante a internação.
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Depressão pós-AVC exige rastreio sistemático
A saúde mental é apontada como componente essencial da recuperação. A diretriz recomenda rastreio sistemático de depressão e ansiedade logo após o AVC, com reavaliações em diferentes momentos do acompanhamento, e não apenas em uma única avaliação inicial.
A depressão pós-AVC é descrita como complicação comum e tratável, capaz de comprometer tanto a adesão à reabilitação quanto a qualidade de vida do paciente. O reconhecimento precoce do quadro, associado a tratamento adequado, é apontado como fator relevante para o sucesso das demais intervenções terapêuticas.
Quando o cuidador de paciente com AVC recebe suporte, a recuperação avança
O documento reforça que educação e treinamento voltados ao cuidador de paciente com AVC contribuem diretamente para os resultados da reabilitação, além de proteger o bem-estar de quem exerce esse papel. A telerreabilitação é indicada como recurso especialmente útil quando o deslocamento até um serviço presencial é uma barreira, apoiando a continuidade do cuidado entre diferentes fases do tratamento.
A diretriz também amplia recomendações sobre reintegração à vida social, retorno ao trabalho com programas individualizados de reabilitação vocacional e retorno à direção veicular, com avaliação estruturada de segurança. O documento recomenda ainda encaminhamento ativo a recursos comunitários de longo prazo, reforçando a coordenação entre serviços de saúde e rede de suporte social após a alta da reabilitação formal.
Para a prática clínica no Brasil, o documento reforça a importância de estruturar equipes multiprofissionais e fluxos de continuidade entre hospital, ambulatório e comunidade, mesmo diante das limitações de acesso ainda presentes no sistema de saúde local. O rastreio de saúde mental e o suporte ao cuidador surgem como intervenções de baixo custo e alto impacto, aplicáveis mesmo em serviços com recursos tecnológicos limitados.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.
Autoria

Danielle Calil
Conteudista médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fellow em Neurologia Cognitiva e Anormalidades do Movimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre no Programa de Pós Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto na UFMG e, atualmente, cursando o doutorado na mesma instituição. Além da atuação na Afya, também atende em consultório particular e em rede secundária no SUS.
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