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Infectologia9 outubro 2026

Vacina brasileira contra malária vivax recebe aval da Anvisa para testes humanos

Fase 1 avaliará segurança e resposta imune de candidata nacional à vacina contra malária vivax, forma da doença sem imunizante disponível no mundo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o ensaio clínico de fase 1 da Vivaxin, candidata à vacina contra malária vivax da UFMG. A Resolução-RE nº 3.956, de 6 de outubro, saiu no Diário Oficial da União em 7 de outubro e deferiu duas petições da universidade. O alvo é o Plasmodium vivax, parasita ainda sem vacina disponível para a população em qualquer país.

As petições deferidas envolvem a pesquisa clínica e o Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento. A candidata foi desenvolvida no CTVacinas da UFMG, com participação da USP e do laboratório Cristália.

Imagem no microscópio da malária P. vivax

Ensaio clínico de fase 1 prevê 48 voluntários e três doses

Descrita na resolução como proteína quimérica recombinante PvCSP-All epitopes, a candidata terá avaliadas segurança, reatogenicidade e capacidade de induzir resposta imune. Esses dados devem orientar as fases seguintes, voltadas a avaliarsua eficácia na prevenção da malária.

Serão avaliados três níveis de dosagem da candidata, com 48 adultos saudáveis sem malária prévia, de 18 a 59 anos, distribuídos entre grupos que receberão a vacina ou placebo. Além disso, o esquema inclui três aplicações com intervalo de 28 dias. Segundo o cadastro, o seguimento no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG terá 360 dias, com exames clínicos e monitoramento.

Saiba mais: Relatório da OMS relaciona aumento de casos de malária e mudanças climáticas

Qual o impacto do Plasmodium vivax nas Américas?

O Relatório Mundial da Malária 2025, da OMS, contabiliza cerca de 9,9 milhões de casos causados pelo P. vivax em 2024. Nas Américas, o parasita foi responsável por 63,1% das estimativas daquele ano, dado que reforça a relevância de uma vacina contra a malária vivax.

As duas vacinas antimaláricas recomendadas pela OMS, RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M, foram desenhadas contra o P. falciparum. Já o P. vivax produz hipnozoítos, estágios dormentes no fígado capazes de causar recaídas sem nova picada. Por isso, o tratamento precisa agir sobre a infecção sanguínea e sobre os hipnozoítos. 

Saiba mais: P. vivax: Efetividade da tafenoquina e primaquina para prevenção no Brasil

Eliminação da malária é meta do plano nacional brasileiro

O Ministério da Saúde registrou 118.037 casos autóctones de malária em 2025, mais de 99% deles na região amazônica. Nessa área, o controle esbarra em dificuldades de acesso a diagnóstico, tratamento e prevenção.

O Plano Nacional de Eliminação da Malária tem como meta interromper a transmissão local até 2035. Se demonstrar segurança e eficácia nas próximas fases, a vacina contra malária vivax poderá somar-se ao controle do mosquito, ao diagnóstico e ao tratamento.

Saiba mais: Formas silenciosas de malária desafiam planos de eliminação da doença no Brasil

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas

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