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Infectologia20 fevereiro 2026

OMS confirma nova variante da Mpox no Reino Unido e na Índia

Nova cepa da doença combina clados Ib e IIb e pode circular mais amplamente do que os dados atuais indicam
Por Gabriela Costa

Uma nova variante da Mpox foi identificada em dois casos no Reino Unido e na índia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esses registros indicam que o vírus pode estar circulando mais amplamente e de forma silenciosa, embora a avaliação global de risco permaneça inalterada. 

Os dois pacientes tiveram sintomas semelhantes aos já observados e não tiveram quadros graves. O rastreamento de contato não identificou novas infecções associadas.  

No Brasil, o Estado de São Paulo já conta com 44 casos da doença somente em 2026, segundo o painel de monitoramento do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies). Recentemente, a cidade de Porto Alegre teve o primeiro caso de Mpox confirmado neste ano.  

Leia também: Mpox: A necessidade de uma terapia eficaz  

O que os casos identificados indicam 

O primeiro caso da nova variante foi identificado no Reino Unido após a análise de uma amostra coletada de um viajante que retornou da região Ásia-Pacífico em outubro de 2025.  

Inicialmente classificado como clado Ib, o vírus foi posteriormente identificado, por meio de sequenciamento completo do genoma, como uma variante recombinante com características genéticas dos clados Ib e IIb, sem registro de casos secundários entre os contatos monitorados.  

Já o segundo caso, notificado em janeiro de 2026, ocorreu meses antes: o paciente apresentou sintomas em setembro de 2025 enquanto trabalhava em um país da Península Arábica, teve a infecção confirmada após retornar ao seu país e, embora inicialmente classificado como clado II, o vírus foi reclassificado como a mesma cepa recombinante detectada no Reino Unido. 

O paciente foi hospitalizado, evoluiu sem complicações e se recuperou completamente. A análise genética apontou mais de 99,9% de similaridade entre os vírus dos dois casos, indicando, segundo a OMS, uma origem evolutiva comum. 

De acordo com a avaliação da OMS, o início dos sintomas do paciente na Índia ocorreu mais de dois meses antes do caso detectado no Reino Unido. Essa informação sugere que a origem exata da cepa recombinante ainda é desconhecida e que a transmissão desse vírus já envolveu pelo menos quatro países em três regiões do mundo. 

Veja mais: São Paulo confirma segundo caso de mpox da cepa clado Ib no estado  

O que é uma variante recombinante? 

A nova cepa de mpox foi identificada com uma particularidade genética: ela surgiu a partir da recombinação entre dois clados já conhecidos do vírus, o Ib e o IIb. A recombinação é um processo natural que acontece quando dois vírus geneticamente semelhantes infectam simultaneamente a mesma pessoa e trocam partes do seu material genético. 

Esse mecanismo pode originar variantes com novas características, mas isso não implica, necessariamente, maior gravidade ou capacidade de transmissão. Até agora, o número limitado de casos registrados não permite afirmar se essa nova cepa causa manifestações clínicas diferentes ou se apresenta maior facilidade de disseminação. 

Avaliação de risco  

A avaliação mais recente indica que o risco global segue estável, sendo considerado baixo para a população em geral que não apresenta fatores específicos de exposição. 

Por outro lado, o risco permanece classificado como moderado entre grupos mais expostos, especialmente pessoas com múltiplos parceiros sexuais e aquelas que mantêm contato físico próximo de forma frequente. 

Prevenção 

A estratégia de vacinação prioriza a proteção das pessoas com maior risco de evolução para as formas graves da doença. Outras formas de prevenção como evitar contato com pessoas que tenham suspeita ou confirmação da doença e o fortalecimento da vigilância epidemiológica também podem ser eficazes.  

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Gabriela Costa

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