Além do grande número de casos, as apresentações clínicas e epidemiológicas da mpox — com algumas características diferentes das previamente relatadas na literatura — chamaram a atenção globalmente em 2022. Após um período de aparente controle na transmissão de mpox, em 2024 novos focos de surtos começam a ser relatados em países da África e em outros continentes, dessa vez por um clado diferente. A detecção da circulação de outra linhagem viral leva à preocupação sobre a possibilidade de novas epidemias em larga escala.
Confira os principais pontos sobre os novos casos de Mpox relatados.
Virologia
Mpox é uma doença infecciosa e transmissível causada pelo monkeypox virus (MPXV), pertencente ao gênero Orthopoxvirus e à família Poxviridae, a mesma do vírus da varíola.
O MPXV apresenta duas cepas que seriam genética e geograficamente distintas, que recentemente foram renomeadas em clados. Assim, infecções por MPXV podem ser causadas por vírus dos clados I ou II. Em um mesmo clado, as cepas podem ser geneticamente diferentes para serem separados em subclados. É o que acontece com os clados IIa e IIb.
Diferenças entre os clados
Os casos associados ao surto de 2022 foram causados majoritariamente pelo clado IIb. Entretanto, desde 2023, novos casos reportados esse ano detectaram a emergência e circulação do clado I, em especial de uma nova variante, que foi nomeada clado Ib.
Classicamente, infecções por MPXV do clado I apresentam maior transmissibilidade e maior gravidade, com uma letalidade de 10% a 15% em indivíduos não vacinados, comparada com letalidade de 1% a 6% em infecções por vírus do clado II. Dentro do clado I, a variante Ib diferencia-se por parecer ter transmissão exclusiva pessoa a pessoa.
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Situação epidemiológica da mpox
Até o momento, o maior número de casos de Mpox pelo clado Ib foi detectado na República Democrática do Congo. Entretanto, casos também já foram identificados em outros países, como Burundi, Canadá, Alemanha, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos da América, Uganda, Tailândia e Zimbábue.
Devido à circulação sustentada do vírus e sua disseminação, a Organização Mundial de Saúde (OMS), em agosto de 2024, declarou a situação na República Democrática do Congo como uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional, que exige a adoção de ações coordenadas entre os países membros da organização.
Resposta vacinal
Acredita-se que as vacinas atualmente disponíveis e utilizadas para a prevenção de Mpox mantenham sua eficácia contra o novo subclado. Entretanto, os dados ainda são limitados e vigilância internacional em relação à disseminação viral deve ser mantida e expandida globalmente para que suas características sejam adequadamente avaliadas e respostas coordenadas sejam colocadas em prática.
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