O cenário atual da Mpox exige atenção renovada. Com a detecção de novas variantes recombinantes e o registro de 88 casos no Brasil apenas em 2026 (concentrados em São Paulo), a vigilância constante torna-se indispensável.
Conforme dados do Painel Mpox do Ministério da Saúde, desde o surto ocorrido em 2022, o Brasil apresenta 14.566 casos confirmados, 371 casos prováveis, 181 casos suspeitos e 19 óbitos pela doença.
Sobre o mpox
A Mpox (anteriormente denominada monkeypox) é uma zoonose causada pelo vírus MPXV (gênero Orthopoxvirus). Sua transmissão ocorre pelo contato direto com pessoas infectadas, objetos contaminados ou animais silvestres.
- Sintomas principais: lesões cutâneas, febre, cefaleia, mialgia e linfonodomegalia;
- Clados (Cepas):
- Clado I (Bacia do Congo): historicamente associado a quadros mais graves.
- Clado II (África Ocidental): geralmente causa sintomas mais leves.
Em publicação realizada pela Organização Mundial da Saúde em 14 de fevereiro de 2026, foi documentada a recombinação de cepas do vírus, com dois casos relatados de uma cepa recombinante composta pelos clados Ib e IIb. Em dezembro de 2025, o primeiro caso foi detectado no Reino Unido, com histórico de viagem para um país do Sudeste Asiático e o segundo na Índia, com histórico de viagem para um país da Península Arábica, mas nenhum deles apresentou quadro clínico grave.

Diagnóstico e tratamento do mpox
O diagnóstico é realizado pela detecção molecular do MPXV via PCR. Não há medicamento específico padrão para o tratamento da doença. Assim, o manejo se baseia em medidas de suporte clínico para alívio dos sintomas, prevenção e isolamento para conter a transmissão.
A estratégia de vacinação prioriza a proteção das pessoas com maior risco de evolução para as formas graves da doença, definida pelo Ministério da Saúde como:
- Pessoas vivendo com HIV/AIDS: homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais; com idade igual ou superior a 18 anos; e com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 nos últimos seis meses;
- Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em laboratórios com nível de biossegurança 2 (NB-2), entre 18 e 49 anos de idade.
Saiba mais: Mpox Infantil — Como reconhecer, tratar e prevenir
Recomendações
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde reforçam a necessidade de:
- Vigilância ativa: manutenção do sequenciamento genômico para monitorar variantes;
- Controle de Infecção: isolamento adequado e precauções de contato e aerossóis, para prevenir a transmissão do vírus;
- Notificação compulsória: casos suspeitos devem ser reportados aos órgãos de saúde em até 24 horas.
Autoria

Camila Rangel
Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.
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