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Infectologia2 abril 2026

KPC: o que precisamos saber?

Neste artigo apresentaremos o que se sabe atualmenete sobre o manejo e características da KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase)

Bactérias resistentes a antimicrobianos são atualmente consideradas uma ameaça à saúde pública mundial, sendo responsável por milhões de morte anualmente. Enquanto algumas bactérias adquirem mecanismos de resistência a um antibiótico específico, outras apresentam resistência a múltiplos antibióticos simultaneamente, tornando-se um verdadeiro desafio terapêutico. Por vezes chamadas genericamente de superbactérias, as bactérias com multirresistência podem pertencer a diversos gêneros e espécies e apresentar diferentes mecanismos de resistência. Dentre estes, KPC é uma das mais conhecidas.

Veja a seguir as principais características de KPC.

O que é KPC?

Apesar de ser comumente ser usada para designar uma bactéria específica, a sigla KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) refere-se a um mecanismo de resistência, a carbapenemase KPC, que, embora mais frequentemente encontrada em exemplares de K. pneumoniae, pode estar presente em diferentes espécies bacterianas.

As carbapenemases são enzimas bacterianas pertencentes ao grupo das beta-lactamases, assim denominadas por sua capacidade de hidrolisar antibióticos da classe dos betalactâmicos. As betalactamases são classificadas de acordo com suas características e atividade contra diferentes antibióticos, podendo ser penicilinases, cefalosporinases ou carbapenemases, por exemplo.

No contexto de tratamento de infecções, as carbapenemases destacam-se por seu amplo espectro de atividade, sendo capazes de hidrolisar e inativar penicilinas, cefalosporinas, monobactâmicos, cefamicinas e carbapenêmicos.

Leia também: Entenda a superbactéria resistente a antibióticos que levou ao esvaziamento de UTI

KPC: o que precisamos saber?

Klebsiella pneumoniae sob microscópio eletrônico colorida digitalmente. Imagem de National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID)/CDC (2014).

Por que a KPC é importante?

Dentre o grupo semelhante de carbapenemases, a família das KPCs apresenta o maior potencial de disseminação devido à sua localização plasmidial e por ser encontrada com frequência em K. pneumoniae, uma bactéria com grande capacidade de acumular e transferir mecanismos de resistência.

Essa característica, somada a sua capacidade de hidrolisar quase todos os beta-lactâmicos disponíveis, faz com que KPC tenha um grande potencial para causar surtos de bactérias multirresistentes, especialmente em ambientes hospitalares.

Considerando que infecções por enterobactérias resistentes a carbapenêmicos estão associadas a uma mortalidade que pode ser de 2 a 3 vezes maior do que as causadas por enterobactérias sensíveis, a identificação de uma bactéria produtora de KPC leva à adoção de medidas de precaução, podendo, em algumas situações, levar à interrupção de admissões em determinado setor.

Como é o tratamento?

Mais recentemente, novas opções surgiram para o tratamento de infecções causadas por bactérias produtoras de KPC. A mais utilizada é a combinação ceftazidima/avibactam, uma associação de uma cefalosporina de terceira geração e um inibidor de beta-lactamase com ação contra KPC, entre outras carbapenemases. Contudo, já foram relatados casos de variantes de KPC com resistência a ceftazidima/avibactam.

Outras classes de antibióticos podem ter atividade contra bactérias produtoras de KPC, como polimixinas, tigeciclina e outras associações de betalactâmicos/inibidores de beta-lactamase ainda não disponíveis no Brasil (meropenem/vaborbactam, imipenem/relebactam, aztreonam/avibactam). Entretanto, resistência a múltiplos antibióticos é comum e terapia combinada é frequentemente necessária para o tratamento dessas infecções.

Autoria

Foto de Isabel Cristina Melo Mendes

Isabel Cristina Melo Mendes

Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro

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