Estudo da Universidade de Bolonha cruza prevalência e risco para atribuir ao H. pylori 69,7% do câncer gástrico em 27 países em 2022. A fração indica casos evitáveis sem a infecção, e o peso do H. pylori no Brasil chega a 77,7%. Os dados subsidiam a avaliação da estratégia de rastrear e tratar, segundo os autores.
Publicado na Gastric Cancer, o trabalho obteve a prevalência por metanálise de 40 artigos com dados de 2000 a 2010. O cálculo aplicou risco relativo de 5,9 ao GLOBOCAN 2022, a partir dos 40 anos.

H. pylori no Brasil está ligado a 17,3 mil casos em 2022
No Brasil, o estudo atribui à infecção 17.327 casos e 13.646 óbitos por câncer gástrico em 2022, potencialmente evitáveis com a erradicação; o maior número entre os países latino-americanos avaliados. O INCA projeta 22.530 casos anuais entre 2026 e 2028, a maioria diagnosticada em estágio avançado.
A estimativa brasileira merece cautela: a prevalência de 70,7% usada no modelo veio de um único estudo com 1.001 adultos de 18 a 45 anos atendidos na atenção primária em Pelotas (RS), em 2006–2007, e não de uma amostra nacional. Segundo os autores, diferenças entre países podem refletir a época das pesquisas e o efeito de coorte. O modelo usou o mesmo risco relativo para todos os países, sem separar tumores cárdicos e não cárdicos e pode ter superestimado levemente os óbitos.
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Estratégia de rastrear e tratar é custo-efetiva fora da Ásia?
Na Ásia, a estratégia parece custo-efetiva, e Japão e Coreia a incluíram no seguro de saúde no início dos anos 2010. Fora da Ásia, o tema segue em debate, embora a União Europeia a recomende em países de alta incidência.
James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia, afirma que o SUS não consegue testar a população em larga escala. Segundo o Ministério da Saúde, a Conitec, que avalia incorporações ao SUS, não recebeu nenhum pedido sobre o teste respiratório com carbono 13.
Adicionalmente, o V Consenso Brasileiro sobre Infecção por H. pylori, publicado em agosto de 2026 pela Federação Brasileira de Gastroenterologia/Núcleo Brasileiro para estudo do H. pylori, registra que, no Brasil, rastreamento populacional de H. pylori para prevenção de câncer gástrico não é atualmente recomendado; a recomendação é rastrear e tratar grupos de alto risco.
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Diretriz do ACG limita claritromicina pela resistência a antibióticos
A diretriz do American College of Gastroenterology (ACG), voltada à América do Norte, adota a quádrupla com bismuto por 14 dias como primeira linha. Com resistência de 31,5% à claritromicina nos EUA, o documento evita claritromicina e levofloxacino sem sensibilidade comprovada.
Diante da resistência a antibióticos, a diretriz pede teste de cura ao menos quatro semanas após o tratamento. Sem essa confirmação, a infecção persistente mantém o risco de câncer gástrico.
Segundo o V Consenso Brasileiro sobre a Infecção por Helicobacter pylori (2026), a erradicação da bactéria é recomendada para todos os pacientes infectados. Para o tratamento de primeira linha, uma das principais opções é a terapia quádrupla com bismuto, tetraciclina, metronidazol e um inibidor da bomba de prótons (IBP) ou bloqueador ácido competitivo de potássio (P-CAB), durante 10 a 14 dias. Outra alternativa é a terapia com amoxicilina e claritromicina por 14 dias, preferencialmente otimizada com a adição de bismuto e/ou substituição do IBP por um P-CAB, como a vonoprazana.
Na indisponibilidade de bismuto, podem ser utilizados esquemas duplos com amoxicilina em altas doses associada a IBP ou P-CAB, por 14 dias. A escolha deve considerar a resistência bacteriana, o histórico de uso de antibióticos, possíveis alergias e a disponibilidade dos medicamentos.
Após o tratamento, é fundamental confirmar a erradicação da bactéria, preferencialmente pelo teste respiratório da ureia marcada com carbono-13 ou pela pesquisa de antígeno fecal.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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