O Instituto Nacional de Câncer (INCA) avaliou o status da proteína p53 em pacientes com câncer de endométrio de alto grau sem invasão do miométrio. O estudo retrospectivo analisou casos tratados no INCA entre 2010 e 2025, com avaliação por imuno-histoquímica, para investigar a associação entre p53 anormal e recorrência.
A análise incluiu 59 pacientes com tumores de alto grau, entre eles casos de carcinoma endometrioide grau 3, carcinoma seroso, carcinoma de células claras, carcinosarcoma e tumores mistos ou indiferenciados. Entre elas, 46 apresentaram p53 anormal e 13 tinham expressão do tipo selvagem. A maioria, 94,9%, apresentava doença em estágio I, embora três pacientes já tivessem doença fora do útero. Todas as recidivas ocorreram no grupo p53 anormal, mas a pequena amostra não permitiu demonstrar diferença estatisticamente significativa entre os grupos.

Proteína p53 anormal concentra recorrências no estágio IC
Entre as 56 pacientes classificadas no estágio FIGO IC, nove, o equivalente a 16,1%, apresentaram recorrência. Todas ocorreram entre pacientes com p53 anormal, enquanto nenhuma paciente com p53 do tipo selvagem apresentou progressão.
A estimativa de recorrência em cinco anos foi de 23,2% no grupo com p53 anormal e de 0% no grupo do tipo selvagem. As diferenças nas curvas de sobrevida livre de recorrência e sobrevida global, porém, não atingiram significância estatística.
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Onde ocorrem as recidivas extrapélvicas?
Das nove recorrências no estágio IC, quatro foram pélvicas, três abdominais e duas distantes. Portanto, cinco ocorreram fora da pelve, mostrando que a recidiva não ficou restrita à região pélvica nesse grupo.
No último acompanhamento, sete pacientes em estágio IC haviam morrido. Seis mortes ocorreram no grupo com p53 anormal e uma no grupo do tipo selvagem.
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Estudo pede validação prospectiva antes de mudar tratamento
Os autores apontam que o status de p53 pode contribuir para estratificar o risco no câncer de endométrio de alto grau sem invasão miometrial. Entretanto, destacam o desenho retrospectivo, a amostra pequena, a heterogeneidade do estadiamento cirúrgico e o uso não padronizado de terapia adjuvante.
Os resultados precisam ser confirmados em estudos prospectivos maiores antes de orientar recomendações definitivas de tratamento. A ausência de testes moleculares uniformes além do p53 limitou uma classificação genômica mais abrangente.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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