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Ginecologia e Obstetrícia28 setembro 2026

Estudo do INCA associa proteína p53 a risco de recorrência no câncer de endométrio

Análise mostrou que as recidivas ocorreram no grupo p53 anormal, mas a pequena amostra não permitiu demonstrar diferença estatisticamente significativa entre os grupos
Por Gabriela Costa

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) avaliou o status da proteína p53 em pacientes com câncer de endométrio de alto grau sem invasão do miométrio. O estudo retrospectivo analisou casos tratados no INCA entre 2010 e 2025, com avaliação por imuno-histoquímica, para investigar a associação entre p53 anormal e recorrência.

A análise incluiu 59 pacientes com tumores de alto grau, entre eles casos de carcinoma endometrioide grau 3, carcinoma seroso, carcinoma de células claras, carcinosarcoma e tumores mistos ou indiferenciados. Entre elas, 46 apresentaram p53 anormal e 13 tinham expressão do tipo selvagem. A maioria, 94,9%, apresentava doença em estágio I, embora três pacientes já tivessem doença fora do útero. Todas as recidivas ocorreram no grupo p53 anormal, mas a pequena amostra não permitiu demonstrar diferença estatisticamente significativa entre os grupos.

Proteína p53 anormal concentra recorrências no estágio IC

Entre as 56 pacientes classificadas no estágio FIGO IC, nove, o equivalente a 16,1%, apresentaram recorrência. Todas ocorreram entre pacientes com p53 anormal, enquanto nenhuma paciente com p53 do tipo selvagem apresentou progressão.

A estimativa de recorrência em cinco anos foi de 23,2% no grupo com p53 anormal e de 0% no grupo do tipo selvagem. As diferenças nas curvas de sobrevida livre de recorrência e sobrevida global, porém, não atingiram significância estatística.

Saiba mais: Diretrizes 2025 para manejo do carcinoma de endométrio

Onde ocorrem as recidivas extrapélvicas?

Das nove recorrências no estágio IC, quatro foram pélvicas, três abdominais e duas distantes. Portanto, cinco ocorreram fora da pelve, mostrando que a recidiva não ficou restrita à região pélvica nesse grupo.

No último acompanhamento, sete pacientes em estágio IC haviam morrido. Seis mortes ocorreram no grupo com p53 anormal e uma no grupo do tipo selvagem.

Leia também: Novo estudo corrobora a importância da classificação molecular no CA de endométrio

Estudo pede validação prospectiva antes de mudar tratamento

Os autores apontam que o status de p53 pode contribuir para estratificar o risco no câncer de endométrio de alto grau sem invasão miometrial. Entretanto, destacam o desenho retrospectivo, a amostra pequena, a heterogeneidade do estadiamento cirúrgico e o uso não padronizado de terapia adjuvante.

Os resultados precisam ser confirmados em estudos prospectivos maiores antes de orientar recomendações definitivas de tratamento. A ausência de testes moleculares uniformes além do p53 limitou uma classificação genômica mais abrangente.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista pela Universidade Federal Fluminense.

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