Uma revisão Cochrane de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto investigou se o estrogênio na menopausa melhora a função sexual das mulheres. Publicada em 2023, a análise reuniu 36 ensaios com 23.299 participantes. O estrogênio isolado trouxe ganho pequeno frente ao placebo. Queixas sexuais são comuns nessa fase, como a dispareunia, sintoma da síndrome geniturinária da menopausa.
O efeito mais consistente surgiu em mulheres sintomáticas ou com até cinco anos de pós-menopausa. Após esse período, o estrogênio isolado provavelmente faz pouca diferença no escore global. Para outras terapias hormonais, como a tibolona, a evidência tem qualidade baixa ou muito baixa.

Três domínios da função sexual na pós-menopausa têm ganho discreto
O estrogênio isolado melhorou a lubrificação (SMD 0,47), a satisfação (SMD 0,41) e a dor (SMD 0,57). Nos dois primeiros domínios, o efeito é pequeno, com certeza moderada. Na dor, o efeito é moderado, mas com certeza baixa.
Desejo, excitação e orgasmo não mostraram efeito definido. Após cinco anos de menopausa, os ensaios por domínio usaram via vaginal.
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Estrogênio local alivia sintomas da síndrome geniturinária da menopausa
Revisão da Society of Gynecologic Surgeons de 2014 analisou 44 estudos sobre o uso vaginal do estrogênio na menopausa. Frente ao placebo, houve menos secura, dispareunia, urgência urinária e infecções urinárias.
Uma Cochrane de 2016, com 30 ensaios e 6.235 mulheres, comparou anel, comprimido e creme. Não houve diferença de eficácia entre elas, com evidência de qualidade baixa a moderada.
Qual é a segurança endometrial do estradiol vaginal?
Hiperplasia e adenocarcinoma endometrial foram extremamente raros entre usuárias de estrogênio vaginal na revisão de 2014. O estradiol sérico permaneceu na faixa pós-menopausa, exceto com creme de estrogênio conjugado em dose alta.
Na Cochrane de 2016, o creme elevou mais a espessura endometrial que o anel de liberação de estradiol, possivelmente pela dose. Não houve diferença no conjunto de eventos adversos entre as preparações ou frente ao placebo.
Frente a hidratantes não hormonais, pacientes com dois ou mais sintomas da síndrome geniturinária da menopausa melhoraram mais com estrogênio vaginal. Com uma queixa ou sintomas leves, a resposta foi semelhante. A revisão de 2014 aponta o hidratante como alternativa ao estrogênio na menopausa nesses casos e no risco de neoplasia relacionada ao estrogênio.
Diretriz de 2025 indica estrogênio vaginal em baixa dose como primeira linha
A American Urological Association (AUA) coloca o estrogênio vaginal em baixa dose como primeira linha na síndrome geniturinária da menopausa. A recomendação vale para secura vaginal, desconforto vulvovaginal e dispareunia, queixas que pesam na vida sexual. O diagnóstico é clínico e dispensa dosagem hormonal. A escolha da terapia deve passar por decisão compartilhada com a paciente.
Para quem prefere evitar o estrogênio ou tem contraindicação, o documento sugere DHEA vaginal (prasterona), convertida localmente em estradiol e testosterona. O ospemifeno, modulador seletivo do receptor de estrogênio, é outra opção, embora menos eficaz que o estrogênio local na secura vaginal e na dor à relação. Mulheres em terapia sistêmica com sintomas geniturinários persistentes podem associar estrogênio vaginal ou DHEA, mas os dados não garantem ausência de risco adicional nessa combinação.
A diretriz não encontra evidência robusta que associe o estrogênio vaginal em baixa dose a câncer de mama ou de endométrio. Em pacientes com histórico de câncer de mama, o uso local pode ser considerado após decisão compartilhada com a equipe multidisciplinar. O segmento inclui avaliar a resposta sintomática e os efeitos adversos, com hidratantes vaginais e fisioterapia do assoalho pélvico como estratégias complementares.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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