Um estudo americano identificou que 44,2% dos usuários de agonistas do receptor de GLP-1 relataram redução no consumo de álcool após iniciar o tratamento. A pesquisa, publicada na JAMA Psychiatry em outubro de 2026, analisou respostas coletadas entre março e abril nos Estados Unidos.
A pesquisa envolveu 2.009 adultos, dos quais 368 relataram uso atual ou anterior de medicamentos dessa classe. O levantamento investigou mudanças percebidas nos três primeiros meses de tratamento, sem avaliar diretamente sua eficácia contra a dependência alcoólica.

Consumo de álcool diminuiu para 44,2% dos usuários
Entre os 242 participantes que consumiam bebidas alcoólicas ao iniciar o tratamento com GLP-1, 44,2% relataram redução da ingestão, enquanto 52,6% não perceberam alterações e 3,3% relataram aumento do consumo.
Os resultados foram obtidos por questionários retrospectivos, e não por acompanhamento prospectivo da ingestão de álcool. Portanto, representam mudanças relatadas pelos pacientes, sem comprovar efeito causal dos medicamentos.
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O uso problemático de álcool influenciou nos resultados?
Entre 129 participantes com rastreamento positivo para consumo potencialmente prejudicial, 54,1% relataram beber menos após iniciar o medicamento. A proporção reforça a associação observada nesse subgrupo, mas não estabelece benefício terapêutico.
Na análise ajustada, esses indivíduos apresentaram maior chance de relatar redução da ingestão alcoólica (OR 2,30; IC 95% 1,20–4,42; p=0,01). O resultado indica uma associação estatística, sem demonstrar eficácia para tratar transtorno por uso de álcool.
De acordo com a endocrinologista e editora da Afya, Dra Priscila Arroucha, este estudo se soma às evidências crescentes, inclusive provenientes de ensaios clínicos randomizados, sobre os benefícios dos agonistas do receptor de GLP-1 além do controle glicêmico e da perda de peso. “Vale ressaltar, entretanto, que ainda são necessários estudos maiores e com seguimento mais prolongado para confirmar esses benefícios e esclarecer se o efeito sobre o consumo de álcool é independente da perda de peso, inclusive em pacientes sem excesso de peso”, destaca a especialista.
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Quais são as limitações do estudo?
O estudo dependeu de informações retrospectivas, sujeitas a falhas de memória e respostas influenciadas por expectativas sociais. Os pesquisadores destacam a necessidade de ensaios clínicos maiores para esclarecer a relação entre GLP-1 e consumo de álcool.
Apenas 9,7% dos entrevistados conheciam a possível associação entre esses medicamentos e a diminuição da vontade de beber. O achado acrescenta uma perspectiva sobre o conhecimento público, mas não justifica indicação terapêutica específica.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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