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Endocrinologia13 agosto 2026

Testosterona em gel feminino: uso na mulher com desejo sexual hipoativo

A testosterona em gel na mulher é opção restrita a casos de desejo sexual hipoativo. Confira orientações de uso, dose recomendada e monitoramento.
Por Erik Trovão

A desordem do desejo sexual hipoativo (DSH) em mulheres na pós-menopausa que já receberam terapia hormonal otimizada, mas continuam com queixas de disfunção sexual, permanece como a única indicação formal de reposição de testosterona no público feminino, segundo diferentes diretrizes, incluindo o posicionamento da SBEM (2019). Entre as formas de tratamento disponíveis, a testosterona em gel feminino tem ganhado destaque como a forma mais adequada de reposição.

Com o intuito de orientar a prática clínica na hora da prescrição, a The North American Menopause Society (NAMS) publicou, em 2023, um documento com recomendações detalhadas sobre o tema. A seguir, estão os principais pontos destacados pelas autoras.

casal deitado na cama sem interação devido a ddsh

Qual formulação de testosterona utilizar em casos de DSH?

A testosterona em gel feminino, na formulação transdérmica, é atualmente a única opção recomendada para o tratamento da desordem do desejo sexual hipoativo em mulheres, por ser considerada a via mais fisiológica e segura.

Por outro lado, as apresentações intramusculares e os implantes subcutâneos devem ser evitados, já que podem levar a níveis séricos suprafisiológicos. Já as preparações orais são contraindicadas devido ao risco de hepatotoxicidade.

Qual dose prescrever?

A dose recomendada de testosterona em gel para mulheres no tratamento da DDSH corresponde a 10% da dose usual masculina de testosterona transdérmica, ou seja, 5 mg/dia.

Na prática, isso equivale à prescrição de testosterona em gel a 1% (10 mg/dia), orientando a paciente a aplicar 0,5 ml do gel ao dia. Infelizmente,  aí temos essa formulação comercialmente disponível no Brasil, sendo a manipulação farmacêutica a única opção viável. 

Ponto de atenção

Outra possibilidade seria utilizar 10% da dose de uma preparação transdérmica masculina de testosterona. No entanto, essa prática é mais complexa e aumenta o risco de erro na aplicação, resultando em níveis séricos suprafisológicos, o que compromete a segurança no tratamento.

Como aplicar a testosterona em gel

As recomendações atuais indicam que a aplicação da testosterona em gel feminino deve ser feita em áreas como panturrilha, região externa da coxa ou glúteos. É fundamental orientar a paciente a evitar o contato do produto com a pele de crianças, outras mulheres ou animais de estimação. O risco de exposição acidental para um parceiro masculino é considerado mínimo.

Como avaliar a resposta ao tratamento

A resposta ao tratamento da DDSH com testosterona em gel feminino é avaliada clinicamente, observando o aumento do desejo sexual e a redução do sofrimento associado à disfunção sexual. A melhoria surge entre 6 a 8 semanas, com efeito máximo em torno de 12 semanas. Caso não haja resposta em até 6 meses, o tratamento deve ser descontinuado.

Como monitorar o tratamento

No tratamento com testosterona em gel feminino, recomenda-se a dosagem da testosterona total quando houver indicação de reposição, a fim de registrar os níveis basais para acompanhamento. Após o início da terapia, deve-se repetir a dosagem entre 3 a 6 semanas.

Os níveis séricos não devem ultrapassar o limite superior da normalidade. Em caso de valores suprafisiológicos, a dose deve ser reduzida. Após a estabilização, a monitorização pode ser realizada a cada 4 a 6 meses.

A dosagem de testosterona livre não é necessária, mas recomenda-se a dosagem inicial de SHBG. Valores elevados dessa globulina podem indicar menor resposta clínica, mas não justificam o aumento da dose.

É fundamental monitorar sinais clínicos de hiperandrogenismo (como acne e hirsutismo) e ajustar a reposição, se necessário. Função hepática e perfil lipídico também devem ser avaliados no basal e ao longo do seguimento

Qual o tempo de tratamento ideal

Caso não ocorra resposta com 6 meses de tratamento, a testosterona em gel deve ser suspensa por ineficácia. Se, por outro lado, houver resposta, ela deve ser mantida, mas devemos considerar drug holiday após 12 meses de tratamento, para reavaliar a função sexual e a necessidade de continuar a reposição. Em caso de piora, reiniciar e manter o seguimento adequado.

Limitações e segurança do tratamento

É fundamental esclarecer às pacientes que ainda não existem estudos de longo prazo que comprovem a segurança da reposição de testosterona em mulheres com DDSH. Até que novas evidências estejam disponíveis, o uso da testosterona em gel deve ser restrito a casos específicos e bem selecionados, sempre com monitorização clínica ao longo do tratamento.

Autoria

Foto de Erik Trovão

Erik Trovão

Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela UFCG. Residência em Clínica Médica pelo HBL-SUS/PE. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo HAM-SUS/PE. Titulo de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM Mestre em neurociências pela UFPE. Preceptor da Residência de Endocrinologia do HC/UFPE.

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