Logotipo Afya
Anúncio
Endocrinologia29 outubro 2026

Retatrutida supera semaglutida no controle glicêmico em estudo de fase 3

Resultados após 80 semanas destacam redução da HbA1c, perda de peso e perfil de segurança do medicamento.
Por Gabriela Costa

A farmacêutica Eli Lilly divulgou novos resultados do TRANSCEND-T2D-2, estudo de fase 3 que comparou diretamente a retatrutida com a semaglutida 2 mg em 1.298 adultos com diabetes tipo 2 e controle glicêmico inadequado.

O ensaio clínico foi randomizado e aberto. Os participantes utilizavam metformina, associada ou não a inibidores de SGLT2, e apresentavam hemoglobina glicada (HbA1c) inicial entre 7% e 10,5%.

Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos, para receber retatrutida 9 mg, retatrutida 12 mg ou semaglutida 2 mg, por via subcutânea, uma vez por semana. Após 80 semanas, foram avaliados os efeitos dos tratamentos sobre a HbA1c, o peso corporal e a segurança.

Retatrutida reduziu a hemoglobina glicada em 2,2 pontos percentuais

A retatrutida reduziu a HbA1c em média 2,2 pontos percentuais, tanto na dose de 9 mg quanto na de 12 mg, contra 1,8 ponto percentual com semaglutida 2 mg. A HbA1c média dos participantes no início do estudo era de 8,3%.

A retatrutida também apresentou maiores reduções do colesterol não HDL, dos triglicerídeos e da pressão arterial sistólica. No entanto, a fabricante ainda não divulgou os resultados numéricos completos desses indicadores.

Leia mais: TRANSCEND-T2D-1: Efeitos da retatrutida em pacientes com diabetes tipo 2 

Retatrutida proporciona mais que o dobro da perda de peso observada com semaglutida

Após 80 semanas, a perda média de peso foi de 19,5% com retatrutida 9 mg e 20,9% com 12 mg, contra 9,4% com semaglutida 2 mg. Em valores absolutos, as reduções foram de 20,1 kg, 21,5 kg e 9,5 kg, respectivamente.

Os participantes apresentavam peso médio inicial de 102,4 kg e índice de massa corporal (IMC) médio de 36,8 kg/m². Com a maior dose de retatrutida, a perda ponderal foi mais que o dobro da observada com semaglutida, com diferença estatisticamente significativa (p<0,001).

Saiba mais: Retatrutida reduz em mais de 18% o peso de pacientes obesos com DM2 

Sintomas gastrointestinais predominam entre os eventos adversos

Os eventos adversos mais frequentes foram gastrointestinais. A diarreia ocorreu em 28,3% dos pacientes que receberam retatrutida 9 mg e em 32,7% daqueles tratados com 12 mg, contra 26,4% no grupo semaglutida 2 mg. As taxas de náusea foram de 21,2%, 23,8% e 21,3%, respectivamente.

A descontinuação do tratamento por eventos adversos também foi mais frequente com a retatrutida, atingindo 4,8% na dose de 9 mg e 7,9% na de 12 mg, contra 2,7% com semaglutida. Os resultados indicam a necessidade de considerar a tolerabilidade ao avaliar os benefícios clínicos do medicamento.

Veja também: Diretriz SBD 2025: tratamento do diabetes tipo 2 

Resultados do TRANSCEND-T2D-2 ainda aguardam publicação científica

Os resultados completos do TRANSCEND-T2D-2 ainda serão apresentados em congresso científico e publicados em periódico revisado por pares. A retatrutida permanece em investigação e ainda não possui aprovação regulatória para uso clínico.

O estudo também prevê uma extensão de 24 semanas, com aproximadamente 650 participantes, para avaliar a eficácia e a segurança do medicamento por um período maior.

Até o momento, os dados disponíveis foram divulgados pela fabricante e devem ser interpretados como preliminares, embora apontem resultados promissores no controle glicêmico e na perda de peso.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Endocrinologia